About Me: A Musical de Robert Frank
About Me: A Musical
1971 - EUA - Data de estreia: 03-10-2019
Com: Lynn Reyner, Jaime DeCarlo Lotts, Robert Schlee, Sheila Pavlo, Bill Hart, Vera Cochran, Sid Kaplan, June Leaf, Allen Ginsberg, Danny Lyon, Peter Orlovsky

About Me: A Musical surge da intenção de criar um ensaio sobre a música indígena americana, e acabando por se desenvolver sobre a vida do próprio realizador, Robert Frank. Uma análise simbólica, questionando o papel e o valor da sua obra fotográfica, onde a música representa a procura incessante pela liberdade.

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About Me: A Musical

Uma Exposição do Assunto

O auto-retrato de Robert Frank nasce do seu falhanço em desenvolver, de modo adequado, um determinado tema, e o próprio assume a responsabilidade pela sua aleatoriedade: “O meu projeto era fazer um filme sobre a música na América.” E depois, com um desdém extraordinário: “Bom, que se lixe a música. Acabo de decidir que vou fazer um filme sobre mim próprio.” Apesar disto, ele prossegue com a criação de um filme sobre a música, colocando repetidamente questões sobre a expressão artística, e apresentando a função da memória como sendo semelhante a um caleidoscópio. A revelação mais interessante veio de uma actriz chamada Lynn Reyner, que o próprio Frank apresenta como “a jovem mulher que faz de mim.” Esta aparece em várias cenas coloridas e visualmente distorcidas, e ensaia uma entrevista na qual fala por Frank, relatando alguns dos acontecimentos marcantes da vida dele. Uma pergunta política fica por responder, e a natureza teatral daquelas cenas evoca um workshop. A contracultura do final dos anos 60 está claramente presente, embora não de modo explícito. A colectividade é a norma; não há “Eu” fora do mundo reflexivo do autor. Frank é enciclopédico; o papel representado por músicos do templo em Benares, na Índia, é tão importante no seu About Me quanto o dos “hope freaks” no Novo México ou, numa cena especialmente intensa, presos negros numa prisão do Texas. Estes cantam uma “peça comovente” num coro extraordinariamente melancólico, depois do qual cada indivíduo revela a sua pena: “perpétua”, “cem anos.” Frank, o imigrante, encara a sua história como uma história colectiva. Despreza-se (a primeira cena com a actriz que faz dele é um extra) na mesma medida em que relaciona tudo, de forma narcisista, consigo próprio. Comenta a presença da sua mulher, que toca violino à janela do seu loft, na zona de Bowery em Nova Iorque, com as palavras “É óptimo, mas quem é que quer saber?” – “Bem, eu quero.” As marcas deixadas pela vida estão implícitas. Enquanto a sua visão céptica da fotografia é mordaz, esta é também quebrada numa imagem do apartamento dos seus pais, preenchido por outras imagens, entre as quais se desloca a sua mãe cega. “Sou eu”, diz Frank quando um antigo projector de filmes mostra uma criança pequena. Entrevistas com transeuntes completam o círculo: “Se tivesse uma câmara e filme, o que filmaria?” Algo relacionado com os problemas do país – esta é, naturalmente, a resposta mais comum, e Frank vê-se mais uma vez isolado na sua auto-referencialidade, coibido por problemas de representação. Um músico de rua responde “Sobre mim” e começa a tocar um clássico. “Já lá vai o tempo, meu amigo.” Este é um eco explícito da cena em que a actriz que faz de Frank atira uma pilha de fotografias para cima da cama, e diz, com nojo, “Isto é o meu passado.” Obras e dias há muito desaparecidos.

Bert Rebhandl

In Frank Films – the film and video work of Robert Frank, editado por Brigitta Burger-Utzer e Stefan Grisseman, Ed. Steidl, 2009

Info:

Versão Original em Inglês, sem legendagem
Género: Curta-metragrem
Duração: 30 min
Classificação: M/14

Ficha Técnica:

Realização: Robert Frank
Argumento: Robert Frank 
Direcção de Fotografia: Danny Seymour, Robert Frank
Montagem: Robert Frank
Som: Robert McNamara
Produção: American Film Institute (apoio); Robert Frank