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07-02-2018

Amor & Intimidade - Ciclo de cinema comentado

Desafiando as advertências de George Orwell, a maioria de nós parece pouco preocupada ante a exponencial erosão das fronteiras que separavam o domínio privado do público. Como encarar o facto de as redes sociais alimentarem uma cultura cada vez mais confessional onde já não parece haver lugar para qualquer pudor a respeito da sobre-exposição do Eu? Como podemos medir as motivações e efeitos de os filmes caseiros e as sextapes serem agora indiscriminadamente compartilhados? E os reality shows, que transformaram o sistema de videovigilância num género televisivo de entretenimento altamente lucrativo a fim de explorar a espectacularização dos afectos e emoções?

Numa era que vulgariza a liberdade e o experimentalismo sexual, e onde a esfera privada se torna “pública”, muitos são aqueles que afirmam que a intimidade entrou em “crise”. Da mesma maneira, a palavra “amor” parece ter caído em desuso. Amplamente evitada — para não dizer mesmo estigmatizada — em muitos discursos, esta vai progressivamente cedendo lugar a outros termos e designações, tais como “envolvimento”, “trocas emocionais”, “afectos”, “desejo” ou “compatibilidade sexual”.

O cinema, neste âmbito, converte-se facilmente numa lente útil para examinar as relações entre “amor” e “intimidade” e o modo como essas noções — antes tão estruturantes e recorrentes na cultura popular — têm vindo a sofrer alterações em resultado das profundas transformações sentidas actualmente ao nível dos comportamentos e do quadro de valores que os regem.

O Instituto de História da Arte (IHA) organiza, com a Medeia Filmes e a Leopardo Filmes, o ciclo de cinema “Amor & Intimidade”, onde serão debatidas questões relacionadas com este tema, a partir de uma selecção de dez filmes. Entre 21 de Fevereiro e 20 de Junho, após a exibição de cada filme, os investigadores da FCSH/NOVA vão debater, com críticos de cinema, escritores, artistas, psicanalistas, historiadores, antropólogos, sociólogos e outros, estas obras, clássicas e contemporâneas, à luz destes problemas e inquietações que marcam sobremaneira a contemporaneidade.

As sessões serão quinzenais, e terão lugar sempre às 19h00 no Espaço Nimas. Este ciclo de cinema conta com a curadoria de Bruno Marques, Cláudia Madeira, Luís Mendonça, Mariana Marin Gaspar e Sabrina D. Marques.
Na sessão de abertura do ciclo, a 21 de Fevereiro, o filme DEUS SABE QUANTO AMEI / SOME CAME RUNNING, de Vincente Minelli (projectado numa cópia de 35mm), o filme onde, como escreveu João Bénard da Costa, «“Aquela cujo amor nos faz tanta pena” (para citar, variando um pouco, outro poeta português) é o centro deste filme prodigioso e o mais bonito personagem que o cinema alguma vez inventou», será comentado pelo professor, crítico e ensaísta Mário Jorge Torres e pela crítica de cinema Inês N. Lourenço, com moderação de Luís Mendonça, num debate que, como em todas as sessões, se abrirá também aos espectadores.

Nos filmes seguintes, entre outros, confirmaram já a sua participação o programador e ensaísta António Pinto Ribeiro, a professora e ensaísta Margarida Medeiros, a coreógrafa, performer e escritora Sónia Baptista, o ensaísta e professor António Júlio Rebelo, a coreógrafa e bailarina Olga Roriz…


21 Fevereiro a 20 Junho 2018
Espaço Nimas

 
21 Fevereiro – 19h
DEUS SABE QUANTO AMEI  
de Vincente Minelli 1958
 
7 Março – 19h
UMA LIÇÃO DE AMOR
de Ingmar Bergman 1954
 
21 Março – 19h
IRÈNE
de Alain Cavalier 2009
 
4 Abril – 19h
HIROSHIMA, MEU AMOR
de Alain Resnais 1959
 
18 Abril – 19h
O CORAÇÃO FANTASMA
de Philippe Garrel 1995
 
2 Maio – 19h
A MINHA NOITE EM CASA DE MAUD
de Eric Rohmer 1969
 
16 Maio – 19h
BUFFALO ’66
de Vincent Gallo 1998
 
30 Maio – 19h
O MEDO
de Roberto Rosselini 1954
 
6 Junho – 19h
DOLLS
de Takeshi Kitano 2002
 
20 Junho – 19h
PAIXÕES CRUZADAS
de Leos Carax 1984
 
Organização: Cluster Photography and Film Studies – Instituto de História da Arte da FCSH-NOVA, Medeia Filmes e Leopardo Filmes
Curadoria: Bruno Marques, Cláudia Madeira, Luís Mendonça, Mariana Gaspar e Sabrina D. Marques.

Bilhetes: 5 euros | Classificação: M/12