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17-04-2019

Ciclo: BIibi Andersson do Outro Dado do Espelho - Teatro Campo Alegre

Berit Elisabeth Andersson / Bibi Andersson nasceu a 11 de Novembro de 1935, em Estocolmo, e morreu esta semana, a 14 de Abril, com 83 anos.

Como escrevia o Guardian, “muitas vezes, o facto de um actor ter trabalhado regularmente com o realizador sueco Ingmar Bergman, quando é lembrado e celebrado nunca esquecemos essa ligação”. E, no caso de Bibi Andersson, que começou com Bergman ainda adolescente num reclamo para televisão, e com ele trabalhou também no teatro, apesar de ter feito vários filmes com outros realizadores, os seus grandes papéis, aqueles que nos vêm mais rapidamente à memória, são indissociáveis da obra do realizador sueco, com o qual colaborou numa mão cheia de obras-primas e outra de quase igual calibre.

A enfermeira tem 25 anos […], vamos lá ver, vai-se ver.

Dos filmes que fez com Bergman, escolhemos 6, para lhe render homenagem no Teatro Campo Alegre, de 18 a 24 de Abril: da obra-prima absoluta que é PERSONA (“todo o Bergman está nele, nele está todo o Bergman”, João Bénard da Costa), onde tem, talvez, o maior dos seus papéis, como enfermeira Alma; a MORANGOS SILVESTRES, um dos filmes mais confessionais de Bergman, do “desfilar do passado, vivo, perante a pessoa que há muito o viveu”, devolvido a Isak/Viktor Sjöstrom, pelo espelho que Sara/Bibi Andersson coloca à sua frente; ao divertimento em forma de farsa, de ajuste do realizador com a crítica (?), de A FORÇA DO SEXO FRACO; a CENAS DA VIDA CONJUGAL, um dos filmes mais ternos de Bergman, mestre do pessimismo e amargura (Manuel Cintra Ferreira); ao filme de teatro e cinema, em tom de comédia que é O OLHO DO DIABO; a terminar n’O ROSTO, filme críptico e extremamente importante na obra de Bergman, onde o artista se interroga sobre a sua arte (O Sétimo Selo, uma das obras-primas em que participou, ficou de fora porque será exibido num outro ciclo no mês de Maio).

Quem vemos é sempre Sara, quem vemos é sempre Alma, de há 50, de há 60 anos, co-existindo connosco, espectadores.

Sonhámos tudo isto, ou foi Bergman quem o sonhou?
 
* As frases em itálico foram retiradas, na íntegra ou parafraseadas, de textos de João Bénard da Costa sobre os filmes de Ingmar Bergman.

Programa:

Quinta, 18 Abril, 18h30
A FORÇA DO SEXO FRACO, de Ingmar Bergman
1964, M/12
 
Sexta, 19 Abril, 18h30
MORANGOS SILVESTRES, de Ingmar Bergman
1957, M/12
 
Sábado, 20 Abril, 18h30
CENAS DA VIDA CONJUGAL, de Ingmar Bergman
1973, M/12
 
Segunda, 22 Abril, 18h30
PERSONA / A MÁSCARA, de Ingmar Bergman
1966, N/16
 
Terça, 23 Abril, 18h30
O OLHO DO DIABO, de Ingmar Bergman
1960, M/12
 
Quarta, 24 Abril, 18h30
O ROSTO, de Ingmar Bergman
1958, M/12
 
Bilhetes: 5 euros | Tripass: 4 euros