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15-01-2019

Ciclo - UMA HISTÓRIA DA VIOLÊNCIA (NO CINEMA) - Alguns exemplos no Espaço Nimas

Por ocasião da estreia do filme The House That Jack Built - A Casa de Jack, de Lars von Trier, a Medeia Filmes organiza um pequeno ciclo, com alguns exemplos, da história da violência no cinema, com filmes clássicos e contemporâneos que vão dos anos 30 até 2017.

[Programa]

17 Janeiro às 18h15​
BRINCADEIRAS PERIGOSAS, Michael Haneke (1997) 

18 Janeiro às 18h15​
CÃES DANADOS, Quentin Tarantino (1992)

21 Janeiro às 18h15​
O CAPITÃO, Robert Schwentke (2017) 

22 Janeiro às 18h15​
SALÓ OU OS 120 DIAS DE SODOMA, Pier Paolo Pasolini (1975) 

24 Janeiro às 18h15​
SCARFACE, O HOMEM DA CICATRIZ, Howard Hawks (1932) 

25 Janeiro às 18h15​
MASSACRE NO TEXAS, Tobe Hooper (1974)

28 Janeiro às 18h15​
CÃES DE PALHA, Sam Peckinpah (1971) 

29 Janeiro às 18h15
O SILÊNCIO DOS INOCENTES, Jonathan Demme (1991)

Bilhetes: 6€
Classificação: M/18

[Sobre o ciclo]

"Feliz aquele que é capaz de se convencer que a cultura poderia criar uma sociedade imune à violência. Já antes do século XX os pintores, poetas e teóricos do modernismo provaram o contrário. A sua predilecção pelo crime, pelo outsider satânico e pela destruição da civilização é notória. De Paris a São Petersburgo, a "inteligenzia" do "fin de siècle" coqueteava com o terror." (Magnus Enzerberger)

Considerada como forte ou fraca influência da razão no espírito humano, a expressão da violência na prática artística sempre exerceu na psique colectiva uma duplicidade de sentimentos. Entre o fascínio e a repulsa, a arte ensaia nos seus recursos narrativos e motivos dicotómicos - beleza / fealdade, sublime / grotesco -, a resposta a uma necessidade profunda de identificação e oposição nas múltiplas formas de representar a natureza humana. Da ostentação dos suplícios ao modo de um Foucault  (Vigiar e Punir"); à exaltação do sofrimento, de um Sade, ou lembrando o conhecido dispositivo surrealista de Breton, que declarava que o acto surrealista mais simples consistia em ir para a rua com um revólver na mão e atirar às cegas para a multidão, o máximo tempo possível, são várias as figurações da violência como ortopedia estética, nas artes plásticas, narrativas, cénicas e cinematográficas. O imaginário cinematográfico nunca dispensou as suas indiscrições e tropelias, até porque aquilo que a arte denuncia é sempre mais do que aquilo que lhe é apontado, em jeito de denúncia. Já dizia De Quincey: “obras-primas de puro estilo, que não envergonham seja quem for, como um diletante de boa vontade terá de admitir”. A arte, aliás, que nunca procurou um conveniente casamento entre a ética e a estética e que raras vezes se permitiu submeter às leis tributárias do mundo real, só é verdadeiramente revolucionária se for irresponsável e impaciente. Irresponsável para com o objecto a que se dirige e impaciente para com o seu tempo, não procurando nem o positivo, nem o negativo, mas o máximo de plurivocidade de leituras, já que é dentro dessa pluralidade que se move e existe. Em última análise o que Jünger proclamava acerca da “violência purificadora da tempestade de aço” é o que motiva o leitor a virar a página, o crente a deitar-se no chão da Basílica da Estrela, o espectador a deslocar-se a uma sala de cinema. Queremos ser agitados, deslocados do estado natural, postos fora, despedidos de uma certa escuridão. Os interruptores são ligados. Se a arte especula sobre o mundo, o ser, o devir e o agir - até porque espéculo significa espelho, mas também instrumento cirúrgico com que se observam certas cavidades do corpo humano -, não deverá então apresentá-los nos termos (dialécticos) que os definem? A identidade e o paradoxo, o bem e o mal e o mais ou menos. Mas porque sobre o mais ou menos quase ninguém se ocupa e porque o encanto pode ser frio e o inferno absolutamente extasiante, propomos uma digressão por esse extremo delicado da existência, dando alguns dos exemplos clássicos e contemporâneos que nos marcaram na história do cinema. E acendemos o interruptor.