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06-05-2018

Sessão Especial: PARTE DE COISA NENHUMA, documentário de Alex Wiczor

Nasce-se num lugar, num determinado tempo, numa família, numa
língua, num clima, numa cultura, num cheiro e sabor de comidas,...
nasce-se a ser parte de algo mas é também possível nascer-se para
não se vir a sentir parte de coisa alguma. Pertencer
não é só uma escolha de cada um, a sociedade apodera-se dessa
decisão com uma triste inconsciência. Existe porém a possibilidade de cada um escolher conscientemente. Será talvez esse o maior risco e a maior liberdade.
Onde pertence cada um? Como se forma um
grupo? Quem pertence a quê? Quem se sente mais parte de algo ou
parte de coisa nenhuma? Por onde anda quem se sente pertencido e
por onde viaja quem se sente desamparado?
O Fado, originário de contextos marginais, subiu e desceu a escada dos diferentes estatutos sociais, das diferentes modas, sendo agora parte de quem o quer ouvir. Letras que falam aos portugueses e que embalam quem só lhe entende a melodia.  Quem é o famoso ou o
esquecido? Quem é o marginal? O perfeito e o imperfeito? Onde está a autenticidade daquele que pertence a um grupo? Somos ou pertencemos?
Seremos provavelmente parte de coisa nenhuma.

No próximo domingo, 6 de Maio, às 17h, no Espaço Nimas, será exibido PARTE DE COISA NENHUMA, um documentário de ALEX WICZOR, com coreografia e direcção artística de Diana Seabra (coreógrafa de Sublime Dance Company). Pós-projecção, haverá uma conversa com Luísa Roubaud e Ana Rita Barata, e uma pequena performance com Olsi Gjeçi, Nuno Cabral e Giovanni Barbieri.

A criação de PARTE DE COISA NENHUMA, um documentário que nasceu da colaboração entre a Cercioeiras e a coreógrafa Diana Seabra, expande o processo que ocorreu nos bastidores da génese de uma peça de dança inclusiva onde os participantes são elementos da Cercioeiras e bailarinos profissionais. O objectivo primordial do projecto prende-se na valorização das competências artísticas de cidadãos com incapacidade e potencialização das suas capacidades criativas e performativas no domínio não verbal.

O documentário apresenta a perspectiva de Alex Wiczor sobre o processo criativo que durou dois meses. Nele, a exploração de movimento alterna-se entre a expressividade de um indivíduo singular e a expressividade de um grupo, mas também como ambos se afectam. Em sumário, as fortes relações interpessoais que foram construídas ao longo deste processo reforçam a premissa de que o movimento, dança e a música são meios de comunicação potenciadores de uma compreensão interpessoal mútua e autêntica, fazendo do documentário de Wiczor um documento essencial sobre a intercomunicação humana.