Ciclo "Uma história do cinema segundo J-LG"

21.03 17.04

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

Como sabemos, Godard começou, como os seus compagnons de route da Nouvelle Vague, pela crítica, que levou a cabo ao longo de anos, sobretudo nos Cahiers du Cinéma, na sua época dourada. Resgataram filmes raros, o gosto pelos filmes noir americanos, inventados pelos europeus ali exilados, como Preminger ou Lang, elevaram à categoria de autores cineastas de Hollywood como Ford e Hitchcock, amaram Nick Ray, acreditaram no cinema do Japão que então se descobria… E admiraram alguns dos franceses que vieram antes deles e os influenciaram.


Godard acabaria por fazer não só a série Histoire(s) du Cinéma (1988-98), mas deixou-nos nos seus escritos e entrevistas muitas pistas para “Uma história do cinema segundo J-LG”. Ou várias. Uma história de quando as pessoas que faziam os filmes se viam, falavam deles, e se criticavam. E Godard gostava de comparar os seus filmes com outros filmes que vieram antes dele. Por isso, na continuação do ciclo “For Ever Godard”, montámos esta “história do cinema segundo J-LG”. Não a dos 5 ou 6 filmes mais belos de que fala no célebre texto intitulado Bergmanorama, mas a que logo aumentava a lista, mas uma outra, que vai de Jean Renoir e Ophüls a Cocteau e Bresson, de Chaplin e Dreyer a Lang, Sternberg, Preminger, Mankiewicz, Ford, Hawks, Hitchcock e Ray, Fuller, Welles e os westerns de Anthony Mann (a quem ele chamava Super Mann), Buñuel, Antonioni e Olmi, os Roberts, Rossen e Mulligan, os soviéticos Eisenstein, Solntseva e Dovjenko… E actores e actrizes como Jean Seberg (que veremos numa sessão rara no seu primeiro filme, Saint Joan), Rita Hayworth, Richard Burton, Natalie Wood, James Stewart, Barbara Stanwyck, Gary Cooper, Marlene Dietrich… Filmes para além das estrelas, filmes  que guardam e reflectem os segredos do mundo, filmes que J-LG amou, que colocou nas suas listas dos Cahiers de Os Melhores do Ano, sobre os quais escreveu, com paixão, com ironia, muitas vezes dando uma no cravo outra na ferradura, como fazia com os seus próprios filmes, pondo na sua boca, como Ray pusera na de Richard Burton em Bitter Victory, o verso de Walt Whitman: “I always contradict myself.”


São 27 filmes + 1. Porque Contos da Lua Vaga de Mizoguchi, exibido este mês numa sessão especial, é o mais belo dos filmes.