Éric Rohmer, ou o Génio do Moderno Cinema Francês – Teatro Campo Alegre

15.07 31.07

Teatro Municipal Campo Alegre - Porto

Embora tenha começado a filmar ligeiramente mais tarde que eles, Éric Rohmer (nascido Jean-Marie Maurice Schérer em 21 de Março de 1920, em Tulle), era uma espécie de «irmão mais velho» entre os realizadores da nouvelle vague. Atraído pela literatura, foi primeiro professor e escritor. Nos anos 1950 passou a frequentar o meio cinéfilo entre os cineclubes e as revistas de cinema, onde se reuniria o núcleo que criou os Cahiers du Cinéma, que Rohmer dirigiu nos seus melhores anos. É quando deixa a redacção dos Cahiers, a partir de 1963, que vai começar uma carreira ininterrupta dedicada ao cinema, com a série «Seis Contos Morais», rodada entre 1962 e 1972, a partir de um livro que escrevera mas na altura ainda não publicara (em Portugal foi editado pela Cotovia), trabalhos de uma subtil e densa introspecção, onde se incluem alguns dos seus filmes mais célebres, como o conto erótico-filosófico A Minha Noite em Casa de Maud (1969), aquele que primeiro chamou a atenção do público para o seu cinema e foi mesmo nomeado para os Óscares, e O Joelho de Claire (1970, Prémio Louis-Delluc). Antes, realizara O Signo do Leão (1959, inédito em sala em Portugal), sublime deambulação por Paris em pleno Agosto. Aos «Contos Morais» seguiram-se duas adaptações literárias (A Marquesa d'O, 1976, Grande Prémio do Júri em Cannes, e Perceval, o Galês, 1978). No início dos anos 80 começou a filmar uma nova série, «Comédias e Provérbios» (que inclui os célebres Paulina na Praia, 1983, e O Raio Verde, 1986, Leão de Ouro em Veneza), e já nos anos 90, os «Contos das Quatro Estações». No meio de cada uma das três séries realizou três outros filmes. Rohmer, que «filmava unicamente aquilo que amava», concluiu a sua obra com um tríptico histórico: A Inglesa e o Duque (2001), Agente Triplo (2004), fechando com chave de ouro, com um dos seus filmes mais belos, Os Amores de Astrea e Celadon (2007), que adapta o romance seiscentista de Honoré d'Urfé.


A sua obra varia entre o clássico e o moderno, a literatura e o cinema, e explora as contradições entre a moral e o desejo. Era um cineasta da precisão, mas sempre aberto aos pormenores inesperados, que incorporava nos seus filmes (ele próprio fala da enorme importância do acaso na sua obra). E nunca deixou de experimentar, oferecendo aos actores e actrizes com quem trabalhou muitos dos seus melhores papéis, ou revelando muitos deles: Jean-Louis Trintignant, Zouzou, Françoise Fabian, Fabrice Luchini, Pascale Ogier, Marie Rivière, Arielle Dombasle, Melvil Poupaud...


É a quase totalidade desta obra, uma verdadeira odisseia rohmeriana, que vos convidamos a (re)visitar, em quatro momentos, a partir de 15 de Julho, em novas cópias digitais restauradas, celebrando agora o centenário de um dos maiores realizadores franceses de todos os tempos, e o mais influente entre as novas gerações (de Hong Songsoo a Noah Baumbach, de Joanna Hogg a Ryusuke Hamaguchi). Como se «gritou» nos CahiersROHMER FOR EVER!


O SIGNO DO LEÃO (Le Signe du lion)


A COLECCIONADORA (La Collectionneuse)


O AMOR ÀS 3 DA TARDE (L’Amour l’après-midi)


O JOELHO DE CLAIRE (Le Genou de Claire)


A MINHA NOITE EM CASA DE MAUD (Ma Nuit chez Maud)