Éric Rohmer, 20 filmes restaurados nas salas a partir de 15 de Julho

2020 foi o ano do aniversário de Éric Rohmer e a Leopardo Filmes anunciou que adquirira 20 filmes restaurados do realizador francês, para estrear em sala. Não foi possível levar a cabo esta operação, necessariamente extensa, da forma que queríamos devido ao fecho temporário das salas nos dois confinamentos. Estão agora reunidas as condições para avançarmos com o projecto, que arrancará a 15 de Julho nos cinemas Medeia Nimas, em Lisboa e Teatro Campo Alegre, no Porto (e posteriormente no Auditório Charlot em Setúbal, TAGV, em Coimbra, Theatro Circo de Braga e CAE da Figueira da Foz).

Começaremos por exibir, a partir daquela data, o primeiro filme de Éric Rohmer, O Signo do Leão (1962, inédito em sala em Portugal) e os Contos Morais [as quatro longas A Coleccionadora (1967), A Minha Noite em Casa de Maud (1969), O Joelho de Claire (1970) e O Amor às 3 da Tarde (1972); numa sessão especial no Nimas exibiremos ainda a média-metragem A Profissão de Suzanne (1963) e a curta A Padeira de Monceau (1969)].

O calendário de exibição prolongar-se-á até ao início do próximo ano.


ÉRIC ROHMER
OU O GÉNIO DO MODERNO CINEMA FRANCÊS


1º Capítulo
15 Julho 2021

O Signo do Leão (1959)
(inédito comercialmente em sala em Portugal)


Contos Morais
(longas-metragens)
A Coleccionadora (1967)
A Minha Noite em Casa de Maud (1969)
O Joelho de Claire (1970)
O Amor às 3 da Tarde (1972)


2º Capítulo
Comédias e Provérbios
Outubro 2021


A Mulher do Aviador (1981)
O Bom Casamento (1982)
Pauline na Praia (1983)
Noites de Lua Cheia (1984)
O Raio Verde (1986)
O Amigo da Minha Amiga (1987)


3º Capítulo
Adaptações literárias e outros
Dezembro 2021


A Marquesa de O (1976)
Perceval, o Galês (1978)
4 Aventuras de Reinette e Mirabelle (1987)
A Árvore, o Presidente e a Mediateca (1993)
Os Encontros de Paris (1995)


4º Capítulo
Os Contos das Quatro Estações
Janeiro 2022


Conto da Primavera (1990)
Conto de Inverno (1992)
Conto de Verão (1996)

Conto de Outono (1998)


CÓPIAS RESTAURADAS


Embora tenha começado a filmar ligeiramente mais tarde que eles, Éric Rohmer (nascido Jean-Marie Maurice Schérer em 21 de Março de 1920, em Tulle, França, morreu a 11 de Janeiro de 2010, em Paris), era uma espécie de “irmão mais velho” entre os realizadores da nouvelle vague. Atraído pela literatura, foi primeiro professor e escritor, nos anos 50 passou a frequentar o meio cinéfilo, tal como o seu amigo Douchet, entre os cineclubes e as revistas de cinema, onde se reuniria o núcleo que mais tarde criou os Cahiers du Cinéma, que Rohmer chegou a dirigir. É quando deixa a direcção dos Cahiers, a partir de 1963, que vai começar uma carreira ininterrupta dedicada ao cinema, com a série Contos Morais, rodados entre 1963 e 1972, a partir de um livro que escrevera mas na altura ainda não publicara (em Portugal está editado pela Cotovia), onde se incluem alguns dos seus filmes mais célebres, como A Minha Noite em Casa de Maud (1969), o filme que chamou verdadeiramente a atenção do público para o seu cinema, e O Joelho de Claire (1970).


A sua obra varia entre o clássico e o moderno, a literatura e o cinema, e explora as contradições entre a moral e o desejo (não, não é nem a vida de Rohmer, nem aquilo que ele pensa. Se há cineasta que sempre cultivou a dissociação entre autor e obra, foi Éric Rohmer, que afirmava: “As coisas que as personagens dos meus filmes dizem são elas que as dizem, não sou eu.”).


Era um cineasta da precisão, mas sempre aberto aos pormenores inesperados, que incorporava nas suas obras (no filme de André Labarthe, Eric Rohmer – Preuves à l’appui, Rohmer fala da enorme importância do acaso). E nunca deixou de experimentar, “oferecendo um verdadeiro espaço de luz a actores e actrizes que muitas vezes revelou: Françoise Fabian, Fabrice Luchini, Pascale Ogier, Marie Rivière, Arielle Dombasle...”, como escreveu Gabriella Trujillo no catálogo da retrospectiva integral que a Cinemateca Francesa lhe dedicou em 2019.


Na altura do seu desaparecimento, no Público, Luís Miguel Oliveira chamava-lhe “Cineasta da palavra, esteta dos sentimentos”, “um cineasta excepcional”, [cuja] obra é “um tratado [sobre a natureza humana]. Indispensável e inimitável”.


É a quase totalidade desta obra, “indispensável e inimitável”, que os espectadores portugueses poderão (re)visitar, em quatro momentos, a partir de 15 de Julho, em novas cópias digitais restauradas.