Estreias | LADRÕES DE BICICLETAS, O MILAGRE DE MILÃO e O PECADO

Esta quinta-feira, dia 17, estreiam-se nas salas de cinema Medeia três histórias passadas em Itália: LADRÕES DE BICICLETAS e O MILAGRE DE MILÃO do realizador neo-realista Vittorio De Sica e O PECADO, um filme assinado por Andrei Konchalovsky.

Distinguidas pelos grandes críticos de cinema e veneradas por realizadores como Wes Anderson, Ken Loach ou Satyajit Ray, ambas as longas-metragens retratam de forma exímia a desgraça e pobreza pós 2.ª Guerra Mundial. Contudo, partem de histórias particulares, de homens comuns, para traçar o panorama geral de uma tentativa de regresso a vida quotidiana. Interessado sobretudo em transmitir a forma de sentir das suas personagens, Cesare Pavese dizia que o grande cronista da Itália do seu tempo era De Sica. 

 
LADRÕES DE BICICLETAS – lançado em 1948 – é uma autêntica odisseia em que um pai (juntamente com o filho) anda à procura de uma bicicleta roubada, indispensável para o seu trabalho. Tendo as ruas e edifícios imponentes de Roma como pano de fundo, a obra adquire a grandeza de uma tragédia clássica.
 
Como notou o crítico André Bazin, O MILAGRE DE MILÃO, traz ao neo-realismo uma audaciosa mutação, misturando o realismo social com a fantasia mais desenfreada. O filme conta a história de Totò, um jovem ingénuo e com bons sentimentos, saído de um orfanato. Um vagabundo acolhe-o em noite de intempérie e ele decide organizar uma “cidade da felicidade” para os indigentes num terreno baldio. Contudo, ao descobrirem que naquele lugar há petróleo, os capitalistas resolvem expulsá-los. E é aí que entra o elemento “mágico”, na forma de uma pomba que lhe é entregue pela avó, que desce do céu, e que Totò usa para rechaçar os invasores. 
 
De Sica reconhece a influência de Chaplin e de René Clair, mas fá-la ressurgir de uma forma extremamente criativa, poética, cómica e humana. O cineasta italiano construía assim mais um futuro clássico da história do cinema.
 
Graças à terceira grande estreia desta semana - O PECADO – o espectador vai poder viajar até Florença, no início do século XVI, para testemunhar o auge da carreira de um dos maiores artistas de todos os tempos: Michelangelo Buonarroti (1475-1564).  Celebrado e odiado pelo seu génio e feitio tempestuoso, este vive atormentado pelas pressões dos seus mecenas e por visões que o levam a reflectir sobre as suas falhas morais e artísticas. Escrito e realizado por Andrei Konchalovsky, O Pecado é um estudo cativante sobre a agonia e o êxtase da grandeza individual, e um retrato da humanidade profunda por detrás da lenda renascentista.
 
É caso para dizer que a partir de quinta que todos os caminhos vão dar a Itália!
 
No caso de LADRÕES DE BICICLETAS, o filme tem exibições diárias no Cinema Nimas e no Teatro Campo Alegre a partir de 17 de Junho. Há sessões únicas no Teatro Académico Gil Vicente, dia 21 de Junho, pelas 15h00, no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz (28/06, a partir das 19h00) e no Cinema Charlot, em Setúbal, a 1 e 2 de Julho, ambas às 18h00.
 
O MILAGRE DE MILÃO é exibido diariamente a partir de 17 de junho no Nimas, em Lisboa, mas chega ao Teatro Campo Alegre (Porto) mais tarde, e apenas no dia 24 de Junho. Estão planeadas sessões únicas para o Teatro Académico Gil Vicente, a 28 de junho, às 19h00. O Cinema Charlot, em Setúbal, terá duas sessões nos dias 8 e 9 de julho, marcadas para as 18h00. Por último, o Centro de Artes e Espetáculos (Figueira da Foz) terá uma sessão dia 16 de Julho, a partir das 21h30.
 
O PECADO tem o total de 5 sessões no Cinema Nimas, em Lisboa, e há também uma sessão única planeada para o TAGV (Teatro Académico Gil Vicente) de Coimbra no próximo dia 25 de junho, às 19h00.