Jeanne Balibar: Estreia do primeiro filme como realizadora. Um ciclo de homenagem à actriz no Cinema Nimas

Jeanne Balibar, nascida em Paris no ano de 1968, actriz de teatro e cinema, cantora. Trabalhou com grandes realizadores, de diferentes gerações, num percurso excepcional que começou em 1996, com Arnaud Desplechin, e prosseguiu com Laurence Ferreira Barbosa, Mathieu Amalric, Bruno Podalydès, Olivier Assayas,  Jean-Claude Biette, Jeanne Labrune, Raúl Ruiz, Jacques Rivette, Diane Kurys, Ilan Duran Cohen, Maïwenn, Pierre Léon, Pedro Costa, Pia Marais, Christophe Honoré, Benoît Jacquot, Pawel Pawlinowski, ou Ladj Ly. Foi várias vezes nomeada para os César (os prémios do cinema francês), que venceria em 2018, com a sua fabulosa interpretação da cantora Barbara, no filme de Mathieu Amalric. Outras tantas recebeu o prémio de Melhor Actriz em diversos festivais.

Acaba de nos dar, Merveilles à Montfermeil / As Maravilhas de Monfermeil (2019, festival de Locarno, Selecção Oficial Cineastas do Presente), que assina como realizadora e também interpreta, com um elenco maravilha que a acompanha (Emmanuelle Béart, Mathieu Amalric, Ramzy Bédia, Bulle Ogier…), uma comédia em tom de fábula rocambolesca, entre o absurdo à la Monthy Python e o ritmo frenético de um Lubitsch ou de um Hawks, como sublinham os Cahiers du Cinéma. Estreia em Portugal a 23 de Julho.

 
No cinema Nimas, no contexto desta estreia, a Medeia Filmes presta-lhe um tributo, entre 24 e 28 de Julho, com o mini-ciclo “Jeanne Balibar – A Actriz, num Piscar de Olho(s)”. Veremos 4 dos filmes que marcaram a sua carreira. Do início, e aquele que será o seu primeiro grande papel, que lhe valeu a nomeação para o César de Melhor Actriz Promessa, J’ai Horreur de l’amour / Detesto o Amor (1997), de Laurence Ferreira Barbosa; a sua segunda colaboração com Jean-Claude Biette (a quem ela se refere como “absolument poète et absolument discret”) , Trois Ponts sur la rivière / Três Pontes sobre o Rio (1999), que a traz, com Mathieu Amalric, companheiro e cúmplice criativo, de Paris ao Porto, passando por Lisboa; e duas das suas colaborações com Mathieu: Le Stade de Wimbledon / O Estádio de Wimbledon (2001), deambulação pela cidade de Trieste, à procura de um-escritor-que-nunca-escreveu, e Barbara (2017), prémio Louis Delluc para o melhor filme francês desse ano, no qual, “em estado de graça”, interpreta de forma sublime a icónica cantora francesa Barbara, interpretação que lhe valeria o César de Melhor Actriz em 2018.


Estreia nacional: 23 de Julho
AS MARAVILHAS DE MONTFERMEIL de Jeanne Balibar


Depois de um longo processo de separação, Joëlle e Kamel divorciam-se finalmente, mas ambos fazem parte da equipa de Emmanuelle Joly, a nova Presidente da Câmara de Montfermeil, uma cidade pobre nos arredores de Paris. A equipa municipal empenha-se agora na implementação das maravilhas que Jolly prometera durante a campanha: sestas para toda a gente, hortas nos telhados. assistência sexual ao domicílio, harmonização da respiração, a abertura da Montfermeil International School of Languages, e muito mais. Mas perigosos opositores esforçam-se activamente por sabotar estas políticas à medida que Paris planeia a sua expansão, e a Senhora Presidente cai numa depressão. Primeira longa-metragem como realizadora de Jeanne Balibar, As Maravilhas de Montfermeil é uma comédia utópica sobre a possibilidade de outra economia, outra organização social e outra vida.
 
JEANNE BALIBAR – A ACTRIZ, NUM PISCAR DE OLHO(S)
 
Sexta-feira, 24 de Julho, 13h00
DETESTO O AMOR
de Laurence Ferreira Barbosa
 
Paris em Agosto. Uma mulher de blazer e tacão-alto conduz uma scooter pelo 13º arrondissement. Annie Simonin, médica de clínica geral, esforça-se por lidar com um perigoso doente hipocondríaco, Richard Piotr, e com a passividade de um jovem seropositivo, Laurent Blondel. Convencido de que Annie o contaminou, Richard persegue-a e ameaça-a. Desesperada, Annie procura ajuda junto de psiquiatras, da polícia e chega mesmo a visitar um assassino profissional reformado. Entretanto, Laurent conta-lhe que se tem interrogado sobre o sentido de viver num mundo em que não há lugar para o amor e para o desejo. Mal ela sabe que o jovem estará na origem da sua salvação.
 
Sábado, 25 de Julho, 13h00
O ESTÁDIO DE WIMBLEDON de Mathieu Amalric
 
«Uma jovem mulher procura um "escritor-que-nunca-escreveu"», lembra-nos, à cabeça, Enrique Vila-Matas (e, de facto, V-M escreve sobre este livro e este escritor no seu Bartleby & Companhia). É um romance do triestino Daniele Del Giudice, o ponto de partida para O Estádio de Wimbledon, o filme de Mathieu Amalric. A jovem é Jeanne Balibar (fabulosa), que deambula à procura dos traços de Bobi Bazlen, o judeu de Trieste "que lera todos os livros em todas as línguas" (responsável pela publicação de O Homem sem Qualidades, de Musil) e que "preferia intervir directamente na vida das pessoas do que escrever".
Trieste dos escritores, Ítalo Svevo, Umberto Saba, Claudio Magris; Trieste d' As Elegias de Duíno, de Rilke; Trieste onde Joyce concluiu a escrita de Gente de Dublin, Trieste de Sigmund Freud, os seus cafés, as suas livrarias e bibliotecas, Trieste, ponto de confluência de vários mundos, culturas e modos de vida, onde o Mediterrâneo se encontra com a Mittel Europa. 
 
Domingo, 26 de Julho, 13h00
BARBARA um filme de Mathieu Amalric


Uma actriz, Brigitte (Jeanne Balibar “em estado de graça”), irá interpretar num filme a icónica cantora francesa Barbara. Brigitte trabalha a personagem de Barbara: a sua voz, as músicas e as canções, a imitação dos gestos, as falas. As coisas prosseguem. A personagem vai crescendo dentro dela. Começa mesmo a invadi-la. Yves, o realizador, também vai trabalhando – através de encontros, imagens de arquivo, a música. Parece inspirado por ela… Mas por quem? Pela actriz ou por Barbara?
Uma obra admirável, Barbara foi um dos grandes filmes de 2017, fez parte de várias das listas dos melhores do ano e venceu o mais prestigiado galardão francês, o Prémio Louis Delluc para o Melhor Filme. 
 
Terça-feira, 28 de Julho, 13h00
TRÊS PONTES SOBRE O RIO de Jean-Claude Biette
 
Também com o par Balibar – Amalric, Três Pontes sobre o Rio, o penúltimo filme do realizador francês Jean-Claude Biette, produzido por Paulo Branco, foi filmado em finais dos 1990 entre Paris, Lisboa e o Porto. O rio, a Ribeira e os seus restaurantes, a livraria Lello, as ruas e casas da cidade Invicta, num filme que, na altura da sua estreia, como Mário Jorge Torres escreveu no Público, foi "uma das grandes surpresas da temporada" com um olhar "mágico sobre Portugal", e a fazer lembrar "o melhor Jacques Rivette, o de Céline et Julie Vont en Bateau', [fazendo] da deambulação um sonâmbulo percurso por um tempo sem tempo, com personagens inolvidáveis e a fabulosa presença de Jeanne Balibar".