Kurosawa, Bergman, Visconti, Maryam Touzani e Mário Barroso ― estreias e ciclos na rentrée de cinema no Teatro Campo Alegre e Rivoli

Depois das operações Yasujiro Ozu e Kenji Mizogucchi, com cópias digitais restauradas e a estreia comercial de muitos dos seus filmes até à data inéditos em sala em Portugal, a Leopardo Filmes e a Medeia Filmes continuam o seu trabalho de divulgação do grande cinema japonês e dedicam agora uma operação especial a AKIRA KUROSAWA, o outro grande mestre do cinema nipónico, e aquele que mais contribuiu para o seu conhecimento e divulgação no Ocidente.

São 7 filmes do período de maior glória do cineasta, em cópias digitais restauradas, 5 dos quais inéditos em sala e que se estreiam agora finalmente no nosso país (no Porto, em exclusivo no Teatro Campo Alegre). Este será certamente o grande acontecimento da rentrée cinematográfica.


Afirma Scorsese: “Deixem-me dizer o seguinte: Kurosawa foi o meu Mestre. E o Mestre de muitos outros realizadores. […] A primeira vez que o grande realizador Michael Powell viu [um filme de] Kurosawa, a sua concepção do que um filme poderia ser, do que o cinema poderia fazer, mudou por completo. Podem imaginar o que sentíamos, nós que éramos novos e cujos olhos se abriam para o cinema, podem imaginar o impacto daquele grau de mestria. Ainda sinto o mesmo choque, o mesmo maravilhamento quando vejo os filmes hoje. […] É como se os visse pela primeira vez. Akira Kurosawa ensinou-nos tanto, deu-nos tanto […] Foi o nosso grande Mestre, o nosso sensei.” O ciclo terá início a 17 de Setembro, com Os Sete Samurais (1954, versão do realizador), prossegue a 24 com Yojimbo, o Invencível (1961; para Copolla é um dos melhores filmes de todos os tempos) e continua por Outubro com os filmes Viver-Ikiru (1952), A Fortaleza Escondida (1958), O Barba Ruiva (1965) e o shakespeareano O Trono de Sangue (1957).


Entre 1 e 10 de Setembro, revisitamos BERGMAN: são 14 filmes do realizador sueco, todos eles os mais “belos filmes”, parafraseando Godard, onde vemos desfilar grandes actores como Max von Sydow, Erland Josephson, Ingrid Bergman, Liv Ullman,  Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Maj-Brit Nilsson… Homem do cinema e do teatro, como escreveu João Bénard da Costa, o actor é a origem radical da sua obra. É a Máscara. É a Persona. Começamos já a 1 de Setembro com Um Verão de Amor (1951) – e de amores e Verões, entre olhares e sorrisos, o toque e os corpos são muitos destes filmes feitos – e terminamos a 9 com O Silêncio (1963, que encerra a trilogia a que o realizador chamou “O Silêncio de Deus”, de que veremos os 3 títulos).


A par deste ciclo veremos ainda em estreia no Porto e em exclusivo, um dos melhores filmes que recentemente se estrearam entre nós, com uma grande adesão por parte dos espectadores: ADAM, da realizadora marroquina Maryam Touzani, da colheita de Cannes 2019. É uma obra surpreendente, delicada, comovente e fascinante, uma história de amizade e emancipação feminina. O New York Times chamava-lhe “uma ode às mulheres”.


A 10 de Setembro estreia um dos grandes filmes portugueses desta rentrée, ORDEM MORAL, de Mário Barroso, sobre Maria Adelaide Coelho da Cunha, a herdeira e proprietária do Diário de Notícias, uma mulher livre, que decidiu escolher a sua vida, no Portugal dos anos 20, e pagou um elevado preço por isso. A actriz Maria de Medeiros é Maria Adelaide, e tem aqui um desempenho soberbo.


No Teatro Rivoli, retomamos o nosso programa das sessões especiais uma terça-feira por mês. A 22 de Setembro apresentamos O LEOPARDO, a obra-prima de Visconti, na versão integral, numa magnífica cópia digital restaurada. O filme, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1963 (com Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Alain Delon), é uma adaptação épica do célebre romance homónimo de Tomasi di Lampedusa. Martin Scorsese, responsável pelo restauro, afirmava quando apresentou a nova cópia no festival de Cannes: “Vivo com este filme cada dia da minha vida.”


Bem-vindos/as de volta ao cinema!