Um Verão com Maurice Pialat

O grande acontecimento cinéfilo do Verão, a partir de 22 de Junho. 


(cinemas Medeia Nimas, em Lisboa e Teatro Campo Alegre, no Porto, e depois no auditório Charlot, em Setúbal, TAGV, em Coimbra, Theatro Circo de Braga, CAE da Figueira da Foz, Cine-Teatro Avenida em Castelo Branco…)


No solstício de Junho mergulhamos na obra de um cineasta maior, Maurice Pialat (1925-2003), figura mítica do cinema francês, com a exibição, em novas cópias digitais restauradas, de todas as suas longas-metragens, realizadas entre 1968 e 1995, que figuram entre as grandes obras do cinema da segunda metade do século XX. É, pois, um Pialat “completo” que propomos, as suas longas para o cinema, duas delas inéditas comercialmente em Portugal, A Infância Nua (1968) e Primeiro Passa no Exame (1978). São dez filmes, uma obra colossal e “brutalista”, de um cineasta que “habitava o olho do ciclone”, como escreveu Serge Daney, selecionada e galardoada em Cannes, Veneza e Berlim, nos Césars e com os Prémios Jean Vigo e Louis Delluc, com sucessos críticos e de bilheteira como o milhão e setecentos mil espectadores de Quando o Amor Acaba (1972) ou o milhão de Loulou (1980), mas também alguns reveses, como o filme que levou a Lido Films à falência, A Vida Íntima de um Casal (1974), uma verdadeira obra-prima, a pedir expiação urgente e devida dos espectadores.


Fez-nos descobrir Sandrine Bonnaire em Aos Nossos Amores (1983), trabalhou em vários filmes com Depardieu (seu alter ego no derradeiro O Miúdo), e ainda com Isabelle Huppert (“Tínhamos a impressão de estar em estado de levitação no plateau”), Nathalie Baye, Sophie Marceau, Jacques Dutronc, Jean Yanne, Guy Marchand, com desempenhos inesquecíveis, e que misturava nos elencos com muitos actores amadores.


Habitar o olho do ciclone, é o modo como Pialat tenta manter o controlo de um filme, onde, por outro lado, não tem medo de se expor pessoalmente. Entrar nesse olho é o que nos resta fazer.” – S.D.


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A INFÂNCIA NUA de Maurice Pialat

CÓPIA DIGITAL RESTAURADA 4K
ESTREIA – 22 JUNHO
INÉDITO COMERCIALMENTE EM PORTUGAL


“Um dos grandes filmes franceses, próximo de Rouch e Truffaut, Renoir e Vigo.”
Jean-Louis Comolli, Cahiers du Cinéma


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AOS NOSSOS AMORES  de Maurice Pialat
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA
ESTREIA – 22 JUNHO


“Regresso sempre a Aos Nossos Amores de cada vez que faço um filme. É uma obsessão. Observo as cenas, os enquadramentos… Há qualquer coisa neste filme que continua a fascinar-me e a estimular-me porque é muito vivo e no entanto extremamente construído. Em Pialat há sempre um interesse suscitado pelo que está fora do enquadramento. […] O ratio entre o que ele escolhe mostrar ou não inspira-me muito.”
Ira Sachs


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VAN GOGH de Maurice Pialat
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA
ESTREIA – 23 JUNHO


“O que torna Van Gogh tão notável, porém, é a recusa de Pialat e Dutronc em encaixar essa descida suicida nos ritmos habituais do biopic. Conjurando uma performance constantemente cheia de surpresas, Dutronc flerta com o desespero da sua personagem, passando da depressão à euforia com uma velocidade desconcertante.”
Jamie Russel, BBC.com


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AO SOL DE SATANÁS de Maurice Pialat
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA
ESTREIA – 29 JUNHO


“É o que vemos nos grandes cineastas. A um dado momento há um filme assim. É o que chamamos uma obra-prima. E esta é a obra-prima de uma obra. Como a Nona de Beethoven, é efectivamente a plenitude de todas as sinfonias. Quando vejo A Palavra de Dreyer, quando vejo Ao Sol de Satanás de Pialat… Com muitos cineastas, há subitamente um filme maior. Mas maior, quer dizer que canaliza tudo: tudo está lá, e perfeitamente ordenado. […] É a apoteose da sua arte, com os seus actores. Tudo o que ele quis fazer e que fez desde o princípio, tudo o que procurava, de certa maneira, ele encontrou-o.”
Bruno Dumont


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A VIDA ÍNTIMA DE UM CASAL de Maurice Pialat
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA 2K
ESTREIA – 29 JUNHO


“Maurice Pialat teria acreditado que ainda era possível acender o fogo, fazer nascer uma imagem. O ritual impõe aqui mergulhar as mãos na terra para extirpá-la, pura e cadavérica.”
Fernando Ganzo, Cahiers du Cinéma


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POLÍCIA de Maurice Pialat
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA
ESTREIA – 29 JUNHO


“Como éramos quatro argumentistas, depois de vários meses de trabalho, finalmente escolhemos uma história bem simples, metade original, metade inspirada em notícias e acontecimentos muito comuns […]. Eu não acho que as histórias espectaculares com personagens esquemáticas fornecem necessariamente os melhores argumentos.”
Maurice Pialat


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PRIMEIRO PASSA NO EXAME de Maurice Pialat

CÓPIA DIGITAL RESTAURADA
ESTREIA 6 DE JULHO
INÉDITO COMERCIALMENTE EM PORTUGAL


“No cinema de Pialat, o peso dos corpos (que também pode ser a sua leveza) é essencial. Está presente em todos os seus filmes, mas particularmente em Primeiro Passa no Exame: o grupo de jovens que ele filma, não é uma ideia, é uma encarnação. É algo que me obceca quando o revejo, especialmente a imagem dos jovens no bar. […] Fumam cigarros, esperam que o tempo passe, morrem de tédio na província, estão à espera de viver.”
Jean-Pierre Dardenne


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LOULOU de Maurice Pialat
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA
ESTREIA 6 DE JULHO


“É menos as personagens do que a si próprio que Pialat põe em cena. Daí, como talvez [Pascal] Bonitzer e os outros se tenham apercebido, que não seja possível separar o que estas personagens dizem, vivem e sentem do seu próprio autor.”
Manuel Cintra Ferreira


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QUANDO O AMOR ACABAde Maurice Pialat
CÓPIA DIGITAL RESTAURADA
ESTREIA 6 DE JULHO


 “Todos conhecemos uma relação como a de Jean e Catherine, uma história que não tem sentido e à qual, no entanto, retornamos sem cessar, como se não houvesse outra possibilidade sobre a terra […]. É simplesmente sublime. Assombrosa. Bruta. Obessiva. Cinema.” 
Josh Safdie


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O MIÚDO de Maurice Pialat

CÓPIA DIGITAL RESTAURADA 4K
ESTREIA 6 DE JULHO


“O filme mais universal e mais íntimo de Pialat.”
Jean Roy, The Guardian