Ciclo "O Buñuel mexicano"

09.10 18.11

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

Depois do escândalo de L’Âge d’or (1930), que lhe trouxe logo uma reputação mítica, e de um convite para trabalhar nos EUA, onde mais tarde viria a exilar-se na sequência da vitória de Franco na Guerra Civil espanhola, acabando por não concretizar ali nenhum dos seus projectos, Luis Buñuel foi parar ao México, em 1946, a convite do produtor Oscar Dancigers, dando assim início ao chamado “período mexicano”, que agora revisitamos, com 3 dos filmes em novas cópias restauradas 4K. Foram 9 anos de grande produtividade, e muitos críticos sustentam que essa foi a grande época de Buñuel. O próprio realizador defendeu vários destes filmes como sendo dos melhores que realizou.
 
Afirma Daney, Serge: “Conhecemos o rasgo de génio de Buñuel. Qualquer que seja o sistema de produção no qual trabalha, mais do que saber correr o risco e ultrapassá-lo, Buñuel é sempre ele próprio. É por isso que o mais individualista dos cineastas, longe de fazer um discurso sobre as virtudes do individualismo, provou, nos vários sítios por onde passou e trabalhou, que era irredutivelmente Buñuel.” E continua: “[No ‘período mexicano’] há, não somente os filmes que estão indubitavelmente entre os mais belos e mais subtis que Buñuel realizou (Los Olvidados, 1950, Él, 1953, Ensayo de un Crímen, 1955), mas somos igualmente obrigados a rever regularmente os outros, para termos a certeza se no meio desta produção não há algumas jóias esquecidas. […] É o caso da adaptação de O Monte dos Vendavais (1953), que achamos, com razão, muito superior à ignóbil versão de Wyler; é o caso de El Bruto […], ou A Filha do Engano, que nos dá sempre tanta vontade de rir […]”.
 
E se alguns dos primeiros destes filmes passaram, na altura, despercebidos fora do México, a partir de Los Olvidados, que foi seleccionado para Cannes, onde obteve o prémio da melhor realização e grande aclamação da crítica (Octavio Paz, mais tarde Nobel da Literatura, escreveu um texto admirável sobre o filme, que ele próprio distribuiu à entrada da sala), a fama de Buñuel renascia. Com Nazarín (1959) ganhou o prémio máximo do festival de Cannes, a Palma de Ouro, regressando a Espanha em 1960, para realizar o celebérrimo Viridiana (e que, tal como o inicial Un Chien Andalou, escrito a meias com Dali, também intrometemos neste ciclo), que provocou um escândalo tão grande como L’Âge d’or, proibido de imediato em Espanha (em Portugal só se estrearia dois anos depois do 25 de Abril de 1974), mas com o qual, ganharia, de novo, a Palma de Ouro. Depois de alguns processos judiciais, o filme estreou-se em vários países da Europa em 1962 e foi o seu maior sucesso até aquela data, sendo Buñuel finalmente aclamado como um dos maiores cineastas de todos os tempos (João Bénard da Costa). Voltaria a filmar no México — onde mantinha residência; naturalizara-se mexicano em 1949 —, dando-nos outros dois grandes filmes: El ángel exterminador (1962) e Simón del Desierto (1965).


15.10.2026
quinta-feira
13:30
  1. Ele

    de Luis Buñuel
    • 1953 | 
    • 1h 32min | 
    • M/12 | Cópia Restaurada
    Arturo de Córdova, Delia Garcés, Luis Beristáin, Aurore Walker, Manuel Dondé