As Noites da Cabíria

de Federico Fellini

com Giulietta Masina, François Périer, Franca Marzi, Dorian Gray

  • Le notti di Cabiria | 
  • 1h58 | 
  • M/12 | Cópia Restaurada 4K | 
  • 1957 | 
  • estreia 31.07.2025

sinopse

Cabíria (interpretada por Giulietta Masina, num papel comoventemente chapliniano) é uma jovem prostituta mergulhada no submundo de Roma. Apesar de uma vida marcada por desgostos e injustiças, Cabíria continua a acreditar no amor e na possibilidade de uma vida melhor. Um dia, conhece um homem aparentemente sincero disposto a casar-se. Uma “concretização” do neo-realismo, “superando-o numa reorganização poética do mundo” (André Bazin), e “talvez o mais belo de todos os filmes de Fellini”, segundo Manoel de Oliveira, As Noites de Cabíria revela-se uma profunda exploração da condição humana, entre o patético e o melodrama.


“Os momentos fortes [em Noites de Cabíria] são tão intensos que, para mim, é o melhor filme de Fellini. […] Quanta saúde neste homem, quanto domínio da cenografia, quanta mestria tranquila e quanta invenção divertida!

[…] Cabíria é uma criação felliniana que completa logicamente a Gelsomina de A Estrada, mas a técnica da personagem e da actuação é, desta vez, perfeitamente chaplinesca.” – François Truffaut

  • 1957 | 
  • Drama | 
  • Longa-metragem | 
  • 1h58 | 
  • M/12 | Cópia Restaurada 4K | 
  • Itália, França

estreia 31.07.2025

festivais e prémios

Festival de Cannes 1957 – Selecção Oficial em Competição – Melhor Actriz (Giuletta Masina), Prémio OCIC
Prémios David di Donatello 1957 – Melhor Realização, Melhor Produção
Óscares 1958 – Melhor Filme Estrangeiro

biografia do realizador

Federico Fellini nasceu a 20 de Janeiro de 1920, em Rimini, e morreu em Roma, a 31 de Outubro de 1993. Durante a infância, o jovem Federico divertia-se a desenhar caricaturas e a encenar espectáculos com fantoches, com o mundo do circo como uma das suas grandes paixões. Chegou a Roma em 1939 para estudar direito (apenas para agradar os seus pais, já que não há registos da sua presença numa única aula), mas acabou por encontrar trabalho na revista de humor Marc’Aurelio, onde tinha uma coluna. A revista permitiu-lhe um emprego estável e o contacto com vários escritores e argumentistas, como Cesare Zavattini e Ettore Scola, e daí passou a desempenhar trabalhos ocasionais na Cinecittà. Entre os seus vários ofícios, Fellini escreveu também para a rádio, onde conheceu, em 1942, a sua futura esposa, Giulietta Masina, que dava voz às suas histórias. Depois da libertação de Roma, trabalhou com Roberto Rossellini, um dos grandes nomes do neo-realismo, como argumentista e assistente de realização em vários dos seus filmes, como Roma, Cidade Aberta (1945); Paisà – Libertação (1946); O Amor (1948), para o qual escreveu o segundo episódio, onde também é actor; e O Santo dos Pobrezinhos (1950). Também em 1950, Fellini co-realizou, com Alberto Lattuada, Luzes da Ribalta, o seu primeiro filme. Dois anos depois, realiza a sua primeira longa-metragem “a solo”, O Sheik Branco. Nos anos seguintes, realizou várias obras que o cimentaram como um dos mais importantes cineastas italianos: Os Inúteis (1953); A Estrada (1954) e As Noites da Cabíria (1957), ambos protagonizados por Giulietta Masina e vencedores do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Este último representa, para Fellini, o primeiro sinal de uma superação das matrizes dramáticas que herdou do neo-realismo. O filme que se seguiu, A Doce Vida (1960), ode a Roma e retrato cáustico da sociedade italiana, foi um estrondoso sucesso: venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, quebrou recordes de bilheteira em Itália e é hoje considerado uma das obras-primas do cinema italiano, e um dos melhores filmes de sempre. A partir daqui, e informado por leituras de Carl Jung, as suas obras afirmam-se enquanto explorações da relação entre a memória e o sonho, entre o desejo e o inconsciente, aliadas a um estilo barroco, fantástico, sempre com o encanto que herdou da sua paixão pelo circo. Em 1963, realizou Fellini 8 ½, épico autobiográfico sobre a crise artística de um realizador. O filme deu a Fellini o seu terceiro Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e é uma das suas obras maiores. Nesta fase da sua carreira, imensamente produtiva, realizou obras como Julieta dos Espíritos (1965); Fellini Satyricon (1969); Roma (1972); e Amarcord (1973), que lhe valeu novo Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. A Voz da Lua (1989) foi o seu último filme. Um dos maiores cineastas da história do cinema, digno do seu próprio adjectivo – “felliniano” –, construiu, ao longo da sua obra, um universo poético inconfundível que nos revela a condição humana através de um olhar extravagante e inimitável, sempre aberto ao sonho e à imaginação.

ficha técnica

Elenco: Giulietta Masina, François Périer, Franca Marzi, Dorian Gray, Amadeo Nazzari


Argumento: Federico Fellini, Ennio Flaiano, Tullio Pinelli (com colaboração de Pier Paolo Pasolini nos diálogos)
Direcção de Fotografia: Aldo Tonti
Montagem: Leo Catozzo
Produção: Dino De Laurentiis
Distribuição: Leopardo Filmes