Cinema Nimas dedica ciclo ao «período mexicano» de Luis Buñuel

A partir do dia 10 de Outubro, e ao longo do próximo mês, iremos revisitar o chamado «período mexicano» de Luis Buñuel: nove anos de grande produtividade, que muitos críticos argumentam ser a grande época do cineasta espanhol, com três novas cópias restauradas 4K (VIRIDIANA, O ANJO EXTERMINADOR e O SIMÃO DO DESERTO) . O próprio realizador defendeu vários destes filmes como sendo dos melhores que realizou.

Afirma Daney, Serge: «Conhecemos o rasgo de génio de Buñuel. Qualquer que seja o sistema de produção no qual trabalha, mais do que saber correr o risco e ultrapassá-lo, Buñuel é sempre ele próprio. É por isso que o mais individualista dos cineastas, longe de fazer um discurso sobre as virtudes do individualismo, provou, nos vários sítios por onde passou e trabalhou, que era irredutivelmente Buñuel.” E continua: “[No ‘período mexicano’] há, não somente os filmes que estão indubitavelmente entre os mais belos e mais subtis que Buñuel realizou (OS ESQUECIDOS, 1950, ELE, 1953, ENSAIO DE UM CRIME, 1955), mas somos igualmente obrigados a rever regularmente os outros, para termos a certeza se no meio desta produção não há algumas jóias esquecidas. […] É o caso da adaptação de O MONTE DOS VENDAVAIS (1953), que achamos, com razão, muito superior à ignóbil versão de Wyler; é o caso de O BRUTO […], ou A FILHA DO ENGANO, que nos dá sempre tanta vontade de rir […]».

 
E se alguns dos primeiros destes filmes passaram, na altura, despercebidos fora do México, a partir de OS ESQUECIDOS, que foi seleccionado para Cannes, onde obteve o prémio da melhor realização e grande aclamação da crítica (Octavio Paz, mais tarde Nobel da Literatura, escreveu um texto admirável sobre o filme, que ele próprio distribuiu à entrada da sala), a fama de Buñuel renascia. Com NAZARÍN (1959) ganhou o prémio máximo do festival de Cannes, a Palma de Ouro, regressando a Espanha em 1960, para realizar o celebérrimo Viridiana (e que, tal como o inicial UN CHIEN ANDALOU, escrito a meias com Dalí, também intrometemos neste ciclo), que provocou um escândalo tão grande como A IDADE DE OURO, proibido de imediato em Espanha (em Portugal só se estrearia dois anos depois do 25 de Abril de 1974), mas com o qual, ganharia, de novo, a Palma de Ouro. Depois de alguns processos judiciais, o filme estreou-se em vários países da Europa em 1962 e foi o seu maior sucesso até aquela data, sendo Buñuel finalmente aclamado como um dos maiores cineastas de todos os tempos (João Bénard da Costa). Voltaria a filmar no México — onde mantinha residência; naturalizara-se mexicano em 1949 —, dando-nos outros dois grandes filmes: O ANJO EXTERMINADOR (1962) e SIMÃO DO DESERTO (1965).

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