Estrela incandescente, celebramos os 100 anos de Marilyn Monroe com a exibição de uma retrospectiva no Cinema Nimas
A retrospectiva terá início a 16 de Abril e incluirá obras como QUANDO A CIDADE DORME (1950, John Huston); EVA (1950, Joseph L. Mankiewicz); OS HOMENS PREFEREM AS LOIRAS (1952, Howard Hawks); O PECADO MORA AO LADO (1955) e QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (1959), ambos de Billy Wilder. Todos os filmes serão exibidos em cópias digitais restauradas.
Abandonada num orfanato, teve uma infância e uma adolescência atribuladas, começou a trabalhar cedo, casou-se e divorciou-se cedo, tornar-se-ia modelo por acaso, e com cerca de 20 anos a Fox contratou-a. Foi nessa altura que deixou de se chamar Norma Jean e passou a chamar-se Marilyn Monroe. Em finais dos anos 40 teve pequenas aparições em vários filmes, tornou-se uma leitora ávida, foi estudar com Lee Strasberg no Actor's Studio.
Em 1949, contracena com Groucho Marx em LOUCO POR MULHERES, de David Miller, e começa a destacar-se em QUANDO A CIDADE DORME, de John Huston, e EVA, de Mankiewicz (onde há uma frase que seria premonitória, quando sobre a sua personagem se diz: "I can see your career rising like the sun"), ambos de 1950, impondo-se de modo fulgurante ao longo dessa década: impressionou Fritz Lang em Desengano (1952); confirmou todo o seu talento em A CULPA FOI DO MACACO (1952), de Hawks, com Cary Grant, Ginger Roger e Charles Coburn – este encontro com Hawks foi determinante e com ele faria ainda Os Homens Preferem as Loiras, no ano seguinte, com Coburn e Jane Russel, onde será Marilyn ela a brilhar –; com Henry Hathaway, fez NIAGARA (1952), onde se começava a perceber que Marilyn era uma das maiores actrizes da história do cinema, e com Negulesco COMO SE CONQUISTA UM MILIONÁRIO (1953), onde tem o primeiro papel no elenco, sobrepondo-se a Betty Grable e Lauren Bacall,, e tornando-se, aos 27 anos, a maior vedeta da Fox; a consagração definitiva veio no ano seguinte, com RIO SEM REGRESSO, de Preminger, ao lado de Robert Mitchum e PARADA DE ESTRELAS, de Walter Lang.
Seguir-se-iam os anos de maior esplendor, com dois filmes geniais de Billy Wilder: O PECADO MORA AO LADO (1955) e QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (1959); em 1956, outro êxito retumbante, com PARAGEM DE AUTOCARRO, de Joshua Logan – foi ainda o ano do casamento com o escritor Arthur Miller –; contracenou com Laurence Olivier, que também realizou o filme, em O PRÍNCIPE E A CORISTA (1957), e George Cukor dirigiu-a em VAMO-NOS AMAR (1960), outro prodígio, tragicamente belo, onde reparte a tela com Yves Montand. É o ano do rompimento com Miller, que escreveu o argumento, a partir de uma novela sua, de OS INADAPTADOS (1961), de John Huston, o realizador com o qual Marilyn tivera a sua primeira presença “visível” e com o qual virá a fazer o seu último filme, ao lado de Clark Gable e Montgomery Clift. Ainda filmou algumas belíssimas sequências com Cukor, para o filme SOMETHING'S GOT TO GIVE, mas o estúdio acabaria por a suspender, devido aos atrasos e às faltas, sintoma de uma crise que dela se apoderava. Até ao momento fatal da noite de 5 de Agosto de 1962, em que, como escreveu Ruy Belo no belíssimo poema “Na morte de Marilyn”,"tomou todos os tubos que tinha e não tinha" e "o último dos rostos que mostrou era [...] / um rosto sem regresso mais que rosto mar".
Cem anos depois do seu nascimento, esta grande, enormíssima actriz, que com a sua fragilidade enigmática e desarmante irradiava luz e convocava todos os abismos, ("Nunca ninguém foi tão amado como ela / nunca ninguém se viu envolto em semelhante escuridão"– ainda Belo), que desafiou convenções e os estúdios, impondo-se e impondo a sua carreira (Wilder dizia que Marilyn “podia fazer tudo. Porque ela era tudo”), que obcecou poetas, pintores e escritores, continua a cativar gerações e gerações de espectadores.
[Os sublinhados são do texto “Em vez de Marilyn dizer Mulher”, de João Bénard da Costa, em Muito Lá de Casa, 1993]
LOUCO POR MULHERES / Love Happy (1949), de David Miller
QUANDO A CIDADE DORME / The Asphalt Jungle (1950), de John Huston
EVA / All about Eve (1950), de Joseph L. Mankiewicz
DESENGANO / Clash by Night (1952), de Fritz Lang
A CULPA FOI DO MACACO / Monkey Business (1952), de Howard Hawks
NIAGARA (1953), de Henry Hathaway
OS HOMENS PREFEREM AS LOIRAS / Gentlemen Prefer Blondes (1953), de Howard Hawks
COMO SE CONQUISTA UM MILIONÁRIO / How to Marry a Millionaire (1953), de Jean Negulesco
RIO SEM REGRESSO / River of No Return (1954), de Otto Preminger
PARADA DE ESTRELAS / There's No Business Like Show Business (1954), de Walter Lang
O PECADO MORA AO LADO / The Seven Year Itch (1955), de Billy Wilder
PARAGEM DE AUTOCARRO / Bus Stop (1956), de Joshua Logan
O PRÍNCIPE E A CORISTA / The Prince and the Showgirl (1957), de Laurence Olivier
QUANTO MAIS QUENTE MELHOR / Some Like It Hot (1959), de Billy Wilder
VAMO-NOS AMAR / Let's Make Love (1960), de George Cukor
OS INADAPTADOS / The Misfits (1961), de John Huston