Maria Andresen apresenta sessão no Cinema Nimas com duas das primeiras obras de João César Monteiro

Na sessão, no dia 18 de Janeiro, às 11h, serão exibidas as obras SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN e FRAGMENTOS DE UM FILME-ESMOLA.

Realizados em pleno Estado Novo, os dois filmes inaugurais de João César Monteiro fundam uma ética: não capturam a poesia, limitam-se a aceitar a sua ausência. É aqui que começa tudo.


Primeiro filme estreado em sala de João César Monteiro, SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN recusa o biopic, a entrevista ilustrada e o retrato oficial. Ao observar o quotidiano da poetisa em férias com a família, entre o mar, a casa, os filhos e os gestos banais, o filme transforma-se num objecto estranho e decisivo: um «home movie» sem sentimentalismo. Como escreveu João Bénard da Costa, um dos retratos mais justos alguma vez feitos em Portugal.


A «curta» é seguida de FRAGMENTOS DE UM FILME-ESMOLA, primeira longa-metragem de Monteiro. Filmada a preto-e-branco, com meios mínimos, o filme ataca frontalmente a instituição familiar, entendida como célula repressiva do regime fascista. Construído por planos-sequência autónomos, sem narrativa clássica, é um cinema de confronto com o espectador, onde já se anunciam a violência, a provocação e a figura de João de Deus. Um filme-esmola, sim, mas também um manifesto precoce contra a ordem, a moral e o conforto.


Uma sessão rara na manhã do próximo domingo, apresentada por Maria Andresen. Faltar é um erro.


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