MIROIRS NO. 3 é a primeira grande estreia de 2026 nos cinemas Medeia
É o primeiro grande filme de 2026 – não deixem que vos passe ao lado. Um filme subtil, de graça luminosa, onde o cuidado e a estranheza caminham lado a lado. Realizado por Christian Petzold, e protagonizado por Paula Beer, na sua quarta colaboração com o cineasta, MIROIRS NO. 3 transforma um acidente num ponto de suspensão entre trauma, memória e possibilidade de reparação. Um jogo de espelhos assombrado, delicado, onde a ternura nunca está completamente segura.
É o primeiro grande filme de 2026 – não deixem que vos passe ao lado. Um filme subtil, de graça luminosa, onde o cuidado e a estranheza caminham lado a lado. Realizado por Christian Petzold, e protagonizado por Paula Beer, na sua quarta colaboração com o cineasta, MIROIRS NO. 3 transforma um acidente num ponto de suspensão entre trauma, memória e possibilidade de reparação. Um jogo de espelhos assombrado, delicado, onde a ternura nunca está completamente segura.
Após sobreviver a um acidente de carro, Laura é acolhida por uma mulher do campo com uma devoção quase maternal. Instala-se uma rotina frágil, íntima, aparentemente reparadora, até que o passado regressa e começa a abrir fendas nesse equilíbrio. Para Luís Miguel Oliveira, no Público, é aí que o filme encontra a sua força mais rara: «um romantismo despojado, sem ornamentação, mas com muitos fantasmas». Um cinema que recusa o excesso e confia na presença, nos silêncios, naquilo que permanece fora de campo.
Esse despojamento é também um gesto ético e formal. João Antunes, no Jornal de Notícias, sublinha como Petzold, «com o seu cinema sóbrio e elegante, tira-nos da zona de conforto e obriga-nos a questionar as nossas convicções». Nada aqui é explicado em demasia, nada é fechado à força. O filme avança com a serenidade de quem confia na inteligência do espectador, avançando, como observou Hugo Gomes, no Cinematograficamente Falando…, «a pedalar na sua própria lógica».
A crítica tem sublinhado, de forma quase unânime, essa delicadeza estrutural. Para Inês N. Lourenço, na Metropolis, MIROIRS NO. 3 é «a mais bela estreia a começar o ano». Essa impressão é aprofundada no programa A Grande Ilusão, da Antena 2, onde a crítica descreve o filme como «um enigma impressionista que se encerra numa beleza suave», acrescentando que «Petzold continua a assinar filmes repletos de ideias, camadas, numa expressão narrativa muito delicada».
Com algum distanciamento, mas também com instantes de humor cândido, MIROIRS NO. 3 revela uma economia rigorosa dos seus meios. Nuno Miguel Guedes, na Sábado, escreve que o filme é «perfeito na utilização económica dos seus meios» e descreve-o ainda como «um jogo de espelhos, de réplica de afectos e reflexos de memórias demasiado dolorosas – e como tentamos desesperadamente lidar com essa bagagem emocional».
Essa arquitectura afectiva, feita de substituições e realidades paralelas, é analisada com precisão por Jorge Pereira Rosa, no C7nema: «MIROIRS NO. 3 segue por vias em que o trauma e o luto são a chave para a criação de realidades paralelas e actos de substituição no campo dos afectos, tudo como resposta a dores e vazios imensuráveis». Um filme simples e austero, mas sempre eficaz e elegante, como o próprio crítico sublinha noutro momento.
No centro dessa constelação está Paula Beer, cuja presença atravessa o filme como um campo magnético. João Lopes, no Diário de Notícias, destaca a «sempre brilhante Paula Beer no papel central», notando ainda como Petzold «expõe a transparência do quotidiano como um cenário habitado pela misteriosa musicalidade das relações humanas».
A dimensão mais metafísica do filme surge com clareza na leitura de Miguel Allen, na Tribuna do Cinema: «A morte é o grande mistério que o espelho mágico do cinematógrafo tanto parece querer enganar, mas sem jamais saber como.» Não surpreende, por isso, que o mesmo crítico sublinhe tratar-se de «um filme que convém rever e repensar ao contrário».
MIROIRS NO. 3 estreou no Dia de Ano Novo nos cinemas Medeia Nimas (Lisboa), Teatro Campo Alegre (Porto) e Cinema Charlot (Setúbal), passando ainda pelo TAGV a 6 de Janeiro às 21h30 e pelo Theatro Circo a 26 de Janeiro, à mesma hora.