O Cinema Nimas acolhe a obra de Philippe Garrel, um dos «Inclassificáveis do Cinema Francês», ao lado de Jean Eustache
A sua obra, febril, ferozmente pessoal – com «a câmara no lugar do coração» (Nico) –, ocupa um lugar simultaneamente marginal e central nesta cinematografia, afirmando-se, com Eustache, como um dos maiores nomes do período que se seguiu imediatamente à Nouvelle Vague.
Os filmes de Philippe Garrel são apresentados então em diálogo com os de Eustache, num díptico de programação, em cópias digitais restauradas, com a sua supervisão – os do início da sua obra, das décadas de 60 e 70, que marcariam para sempre o seu cinema posterior, e ainda O CORAÇÃO FANTASMA (1995), produzido por Paulo Branco, e OS AMANTES REGULARES (2005), um dos seus filmes mais aclamados, onde regressa ao Maio de 68, reinventando-o como se fosse de uma nova geração (a do seu filho Louis, que desempenha um dos papéis principais).
Garrel começou a filmar muito jovem, qual enfant secret, e, em 1969, com 21 anos e a completar a quarta longa (LE LIT DE LA VIERGE), conhece Nico, estrela da Factory de Andy Warhol. À procura de uma banda sonora, Nico propõe a Garrel a sua canção «The Falconer», começando ali uma relação amorosa e artística que duraria 10 anos e um punhado de filmes, raramente projectados, que daremos a oportunidade de ver, como LA CICATRICE INTÉRIEUR (1971), ATHANOR (1972), LES HAUTES SOLITUDES (1974).
«Os seus filmes continuam a ser meteoros, vêm do coração, passam-nos pela vida, como acidentes celestes.» – Jorge Silva Melo