O Teatro Campo Alegre acolhe ciclo «A Questão da Fé: Interrogações, dúvidas, negação na obra de grandes cineastas» a partir do dia 4 de Junho
O programa, que começa no dia 4, quinta-feira, e termina no dia 10, quarta, inclui obras de cineastas como Roberto Rossellini, Luis Buñuel, Manoel de Oliveira, Carl Theodor Dreyer e Ingmar Bergman. Descubra aqui o programa completo.
Paul Schrader colocou esta epígrafe ao seu livro «O Estilo Transcendental no Cinema»: «A religião e a arte / são linhas paralelas / que se intersectam somente no infinito, / e se encontram em Deus», do teólogo holandês Gerardus van der Leew. Este ciclo surgiu na sequência da estreia do filme OS DOMINGOS, ainda em cartaz.
A Fé, que pode ou não ser questão de religião, sempre trouxe consigo interrogações e dúvidas, aceitação ou negação (perguntava Oliveira nas suas reflexões sobre o seu PALAVRA E UTOPIA: «Não há ateus convertidos? E crentes que perderam a fé?», ele que frequentemente citava Régio e o seu «crer não crendo»; no PICKPOCKET de Bresson, Michel diz: «Acreditei em Deus durante três minutos» e o realizador, que era católico, comentava que «poucas pessoas podem dizer que acreditaram em Deus durante tanto tempo»).
Escolhemos uma dúzia de filmes, todos eles de grandes cineastas, todos eles obras-primas, de várias épocas e cinematografias (mas muitos outros se poderiam acrescentar), e que, por caminhos diversos que acabarão por se intersectar, abordam esta questões, colocadas por realizadores que sempre assumiram a sua religiosidade, como Bresson ou Rossellini, ou, por outro lado, Buñuel, que, tendo tido em criança uma educação religiosa, se dizia «ateu, graças a Deus» (e em cuja obra a religião teve sempre forte presença, com filmes que foram proibidos e o realizador a ser condenado à prisão e excomungado). Obras de despojamento e ascetismo, como as daqueles dois cineastas, ou Dreyer, Oliveira e Olmi, outras, barrocas, como o filme de Verhoeven, e tanto umas como outras acabariam por causar escândalo.
Para finalizar (ou começar de novo): não será o cinema um acto de «revelação», algo da ordem do milagre, ao qual assistimos juntos, numa sala, onde, como no milagre de A PALAVRA / ORDET, o tempo se suspende, e nós, espectadores, com uma certa dose de inocência, percorremos os estranhos caminhos para encontrarmos a sua «verdade»?
Horários completos:
Quinta, 4 Junho
A LENDA DO SANTO BEBEDOR, de Ermanno Olmi
18h30
O SANTO DOS POBREZINHOS | FRANCESCO, GIULARE DI DIO, de Roberto Rossellini
21h45
Sexta, 5 Junho
NAZARÍN, de Luis Buñuel
21h30
Sábado, 6 Junho
OS DOMINGOS, Alauda Ruiz de Azúa
15h30
A PALAVRA, de Carl Th. Dreyer
18h
VIRIDIANA, de Luis Buñuel
21h30
Domingo, 7 Junho
PALAVRA E UTOPIA, de Manoel de Oliveira
15h30
EUROPA 51, de Roberto Rossellini
18h
AO SOL DE SATANÁS, de Maurice Pialat
21h30
Segunda, 8 Junho
BENEDETTA, de Paul Verhoven
21h30
Terça, 9 Junho
O CARTEIRISTA / PICKPOCKET, de Robert Bresson
21h30
Quarta, 10 Junho
NOSTALGIA, de Andrei Tarkovsky
18h30
LUZ DE INVERNO, de Ingmar Bergman
21h30