Três filmes de Buñuel para (re)descobrir esta semana

Esta semana a segunda fase do ciclo 25x Buñuel traz três novos filmes a não perder: DIÁRIO DE UMA CRIADA DE QUARTO (1963), LABIRINTO INFERNAL (1956) e O FANTASMA DA LIBERDADE (1974).

DIÁRIO DE UMA CRIADA DE QUARTO dá-nos a conhecer Célèstine, que entra ao serviço dos Monteil, burgueses de província, mas não simpatiza com eles. Presta-se, no entanto, aos caprichos do velho Monteil, que gosta de a ver de botas. Quando pensa em despedir-se, Célèstine sabe da notícia da violação e morte de uma menina. Desconfia de Joseph, outro empregado dos Monteil e activista da extrema direita, e decide continuar ao serviço para confirmar a culpabilidade dele. Dorme com ele para tentar arrancar-lhe uma confissão. Fabrica provas falsas e faz com que Joseph seja preso. Célèstine casa então com o vizinho, o capitão Mauger, inimigo figadal dos Monteil, enquanto Joseph é libertado pouco tempo depois.


Em LABIRINTO INFERNAL é anunciada a proibição da exploração de diamantes pelo Governador. Os mineiros revoltam-se e exigem ser recebidos por ele, mas são detidos pelo exército. Chark, aventureiro oriundo de uma aldeia vizinha, chega em pleno tumulto. Torna-se amigo de Castin, um mineiro que sonha abrir um restaurante em Marselha; do padre Lizzardi, que tenta acalmar os ânimos; e de Djin, a prostituta que dorme com Chark antes de o denunciar à polícia. Chark foge da prisão e envolve-se na revolta dos mineiros. Perseguidos, Chark e o seu grupo aventuram-se selva adentro. Esgotado, o grupo autodestrói-se, e só Chark se salva, fugindo com a filha surda-muda de Castin.


Penúltimo filme de Buñuel, O FANTASMA DA LIBERDADE faz - tão admirável quanto subtilmente - uma síntese de toda a carreira deste cineasta único e ímpar. Em Toledo ocupada pelas forças napoleónicas, um soldado abraça uma estátua feminina numa igreja. Depois, exige que se abra o caixão. A história é contada por um criado num jardim público, que prefere ler em vez de tomar conta das filhas dos patrões, os Foucault. À noite, o senhor Foucault sofre de insónias, o que o leva a consultar o médico no dia seguinte. A partir daí, a história bifurca-se sucessivamente, num encadeado de sequências surreais e personagens autónomas, que criticam a moralidade e a sociedade. 


Três grandes obras de um enorme cineasta, a não perder.