Ciclo — Palmas de Ouro de Cannes

19.05 01.06

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

É o maior dos prémios do cinema mundial e desperta tantas paixões como ódios, quer no processo da sua atribuição como depois de serem conhecidos os vencedores. Receber a Palma de Ouro é capaz de lançar um filme a nível global (como aconteceu em 2019 com Parasitas, de Bong-Joon Ho), e ter sido premiado já tornou conhecidos do grande público autores como Emir Kusturica, Steven Soderbergh ou Jane Campion. Os filmes que escolhemos para este ciclo têm hoje uma força maior do que a que tinham no dia em que foram exibidos na Croisette, e alguns ganharam uma nova relevância quando olhados pela lente actual. 


A paranóia controladora de Harry Caul, em O Vigilante, anunciava-se há mais de 45 anos como um preâmbulo do estado de vigilância constante em que vivemos actualmente. Já a colecção de vídeos de confissões privadas presente em Sexo, Mentiras e Vídeo antecipa a exposição filmada, constante e voluntária, da intimidade nas redes sociais. Títulos como All That Jazz – O Espectáculo Vai Começar ou Paris, Texas são monumentos do seu tempo, capazes de fascinar quer pela mestria das suas imagens como pela nostalgia que inspiram. Obras-primas surreais e irreverentes como Barton Fink, Um Coração Selvagem ou Underground, Era Uma Vez Um País são manifestações incontornáveis de autores cuja obra continua a criar seguidores. E, finalmente, filmes como A Enguia ou Sono de Inverno são olhares ímpares sobre a natureza das relações humanas e sobre a nossa condição, falível e imperfeita. Uma viagem por mais de quatro décadas de vencedores da Palma de Ouro que nos relembra que celebrar o cinema é celebrar a condição humana.