Ladrões de Bicicletas
de Vittorio De Sica
com Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola, Lianella Carell, Elena Altieri
- Ladri di biciclette |
- 1h29 |
- M/6 | Cópia Restaurada 4K |
- 1948 |
- estreia 17.06.2021
sinopse
Ladrões de Bicicletas ocupa há sete décadas consecutivas um lugar cimeiro no cânone dos melhores filmes de todos os tempos. Logo na estreia gerou um grande entusiasmo, na Europa e na América, e André Bazin descrevia-o como uma obra-prima, perfeita e sublime, e afirmava que De Sica era o maior realizador italiano. Amado por Orson Welles e Wes Anderson, o filme que “mudou a vida” de Ken Loach, que “salvou a carreira” de Jia Zhang Ke, Ladrões de Bicicletas, a odisseia de um pai e de um filho pelas ruas de Roma à procura de uma bicicleta roubada, indispensável para o seu trabalho, obra zénite do neo-realismo italiano, tem a grandeza de uma tragédia clássica.
Cesare Pavese dizia que o grande cronista da Itália do seu tempo era De Sica. Foi também nas ruas, onde filmaria, que o realizador foi procurar os seus intérpretes: Lamberto Maggiorani, o pai, era um operário mecânico, e Enzo Staiola, o filho, descobriu-o entre os mirones. “Era necessário que este operário fosse ao mesmo tempo tão perfeito, anónimo e objectivo como a sua bicicleta.” Com uma extraordinária mise en scène, um trabalho rigoroso de escrita (com Cesare Zavattini e outros), uma concisão comovente, Ladrões de Bicicletas é “cinema no seu estado puro”, que nos provoca uma comoção tão forte hoje como há 70 anos.
festivais e prémios
Óscares – Prémio Honorário
Globos de Ouro – Melhor Filme Internacional
Prémios BAFTA – Melhor Filme
Festival de Locarno – Prémio Especial do Júri
Prémios Bodil – Melhor Filme Europeu
Faro Island Film Festival – Comboio de Ouro de Melhor Argumento, Prémio Humanitário da Competição
biografia do realizador
Vittorio De Sica nasceu em Sora, perto de Roma, e morreu em 1974 em Neuilly-sur-Seine. O seu pai, Umberto, jornalista de profissão, ocasionalmente tocava piano no acompanhamento de filmes mudos, o que despertou no jovem Vittorio um interesse pelo cinema. Depois de se ter mudado para Nápoles, De Sica começou a participar como actor em espectáculos amadores. Nos anos 20, já em Roma, depois de estudar contabilidade, integrou várias companhias de teatro, o que lhe permitiu tornar-se um actor adorado, não só de comédias ligeiras, mas também de romances. Ao mesmo tempo, começou a participar em filmes, colaborando regularmente com o realizador Mario Camerini, um dos mais prestigiados da época, nas chamadas comédias de “telefone branco” (telefoni bianchi), próximas das comédias americanas e cujo maior símbolo são os telefones brancos característicos dos cenários Art Déco, associados à burguesia. Em 1940, realizou o seu primeiro filme, Rose scarlatte, uma comédia de “telefone branco”. Nos anos seguintes, De Sica realizou várias destas comédias. Em 1943, realizou o seu quinto filme, I bambini ci guardano, que marca a primeira de muitas colaborações com o argumentista Cesare Zavattini e é hoje considerado um precursor do neo-realismo, movimento do qual De Sica e Zavattini (no papel de argumentista e teórico) se tornariam nomes cimeiros. Os dois voltariam a colaborar novamente em 1946, no filme Sciuscià, vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro (embora tenha sido mal recebido pelo público italiano). A mestria de De Sica na direcção de não-actores e no uso de décors exteriores, assim como a sua profunda compaixão pelas personagens, confirmou-se no seu filme seguinte, novamente escrito por Zavattini – Ladrões de Bicicletas (1948), uma das obras-primas do cinema italiano e de toda a história do cinema, sobre um pai e um filho que vasculham a cidade de Roma à procura de uma bicicleta roubada, indispensável para o seu trabalho. Tal como Sciuscià, o filme também venceu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 1951, a dupla colaborou novamente em O Milagre de Milão, vencedor do Grande Prémio no Festival de Cannes, que trouxe ao neo-realismo uma audaciosa mutação, misturando o realismo social com uma fantasia desenfreada. No ano seguinte, a sua colaboração deu origem a Umberto D., considerado, tal como os anteriores, um dos melhores filmes do neo-realismo e do cinema italiano. É o filme favorito de De Sica, que o dedicou ao pai. Nos anos seguintes, quase sempre com a colaboração de Zavattini, realizou obras como O Ouro de Nápoles (1954); Duas Mulheres (1960), pelo qual Sophia Loren venceu o Óscar de Melhor Actriz; Casamento à Italiana (1964), e O Jardim Onde Vivemos (1970), a sua última grande obra e vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. A par da realização, De Sica continuou a sua carreira de actor, participando em filmes como Madame de… (1953), de Max Ophuls; Pão, Amor e Fantasia (1953), de Luigi Comencini, e O General Della Rovere (1959), de Roberto Rossellini, considerado um dos maiores papéis da sua carreira. De Sica é, sem sombra de dúvida, um dos maiores nomes do cinema italiano, atrás da câmara e à sua frente. Sobre ele, André Bazin escreveu: “Para explicar De Sica, devemos voltar à fonte da sua arte, a saber, a sua ternura, o seu amor (...) a sua incansável afecção pelas suas personagens.”
ficha técnica
Lamberto Maggiorani
Enzo Staiola
Lianella Carell
Elena Altieri
Gino Saltamerenda
Giulio Chiari
Vittorio Antonucci
Michele Sakara
Realização: Vittorio De Sica
Argumento: Oreste Biancoli, Suso D’Amico, Vittorio De Sica, Adolfo Franci, Gherardo Gherardi, Gerardo Guerrieri, Cesare Zavattini, com base no romance homónimo de Luigi Bartolini
Produção: Giuseppe Amato
Música: Alessandro Cicognini
Fotografia: Carlo Montuori
Montagem: Eraldo Da Roma
Direcção de Arte: Antonio Traverso
Distribuição: Leopardo Filmes