Estreias da semana | ONODA, UM HERÓI, OS PREDADORES e O PODER DO CÃO

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA, de Arthur Harari; UM HERÓI, de Asghar Farhadi; OS PREDADORES, de Pietro Castellitto; e O PODER DO CÃO, de Jane Campion. Conheça aqui as estreias da semana.

Após abrir a secção Un Certain Regard do Festival de Cannes e arrecadar o prémio Louis Delluc de Melhor Filme Francês do Ano, ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA venceu o prémio César de Melhor Argumento Original, tendo estado também nomeado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Fotografia.


Neste épico de guerra e aventura, Arthur Harari inspira-se na história real de Hiroo Onoda, um oficial japonês da inteligência do Exército Imperial que combateu nas Filipinas durante a Segunda Guerra Mundial e que passou quase 30 anos nas selvas da ilha de Lubang após o fim do conflito, nunca se convencendo de que a guerra tinha terminado. Foi o penúltimo soldado japonês a dar baixa, em março de 1974. O realizador francês constrói um respeitável épico de guerra sobre uma personagem que pode ser vista de vários ângulos (ou como uma figura polifacetada e contraditória), sendo para uns um herói e um resistente que se recusou a submeter-se aos invasores ocidentais e para outros um louco delirante que matou inocentes enquanto travava uma guerra santa imaginária.


«[...] Começando como um filme de guerra convencional, Onoda, 10 000 Noites na Selva, vai assumindo pouco a pouco uma dimensão fantasmagórica e de absurdo beckettiano, sublinhada pela atmosfera da selva cerrada.» Eurico de Barros, Time Out


ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA, o multipremiado filme de Arthur Harari, estreia esta quinta-feira no Cinema Nimas, em Lisboa, e no Teatro Campo Alegre, no Porto! Conta com exibições únicas no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra; e no Theatro Circo de Braga.


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Asghar Fahradi é seguramente o grande mestre do cinema iraniano de hoje, e UM HERÓI é o seu melhor filme desde Uma Separação (2011). Começa como um western. Rahim goza uma saída de dois dias da prisão onde se encontra devido a uma dívida que não conseguiu pagar. Caminha sob um sol inclemente, a passos largos. Um acontecimento inesperado poderá ser uma oportunidade para recuperar a sua liberdade. E Rahim torna-se um herói nacional, ganha um sorriso, uma nova imagem. Mas o que poderá esconder o sorriso de Rahim? O uso da câmara à mão dá-nos uma imagem quase documental e uma mise en place cheia de vitalidade. Um dos melhores filmes do ano, UM HERÓI mostra-nos a sociedade iraniana nas suas múltiplas inquietações e contradições. Com personagens complexas, com os seus defeitos e as suas virtudes. Como dizia Renoir, que Farhadi cita, cada homem tem as suas razões.


Para ver no Cinema Nimas, em Lisboa, e no Cinema Charlot, em Setúbal. Exibições únicas no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra; no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz; e no Theatro Circo de Braga.


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Estreia na realização do actor Pietro Castellitto, OS PREDADORES foi uma das grandes revelações da 77ª edição do Festival de Veneza, onde venceu o Prémio Orizzonti para Melhor Argumento. A revista Rolling Stone, que o colocou entre os melhores filmes do ano, escreveu que Castellitto possui uma ideia de cinema muito pessoal e uma grande autenticidade e que este filme é também uma análise antropológica dos italianos travestida de sátira filosófica pronta a explodir como uma bomba-relógio, que vale mais do que mil tratados. Fulminante e irreverente, este “encontro” entre dois mundos aparentemente incompatíveis (uma família burguesa e intelectual chic e uma outra, proletária, vulgar e neofascista) vai revelar que todos têm um segredo e ninguém é o que parece. Um filme coral com personagens que não o são, como diz o realizador/actor. Um casamento feliz entre o drama e a mais grotesca commedia all'italiana. 


Estreia no Cinema Nimas, em Lisboa.


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1925. Um Velho Oeste historiograficamente extinto subsiste enquanto mito de violência e de Criação. No estado do Montana, dois irmãos tomam conta do rancho da família, onde dormem desde pequenos no mesmo quarto. Alto, feroz e implacável, Phil Burbank (Benedict Cumberbatch) tem o seu perfeito negativo na generosidade e no sossego de George (Jesse Plemons). A relação entre os irmãos, já de si um abismo intransponível, será posta à prova com a entrada em cena de duas novas personagens: uma jovem viúva (Kirsten Dunst) e o seu filho (Kodi Smit-McPhee).


Produzido pela Netflix, O PODER DO CÃO, adaptação do romance homónimo de Thomas Savage, põe a descoberto as engrenagens psicológicas do western, a inquietação e o ressentimento constitutivos desse mundo. Foi com este filme que Jane Campion venceu o prémio de Melhor Realização no Festival de Veneza de 2021.


Vemo-lo no Cinema Nimas, em Lisboa, em três sessões únicas, e no Teatro Académico de Gil Vicente, numa sessão única.


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