Ciclo "Aleksandr Sokurov"

24.03 12.04

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

O último dos grandes mestres do cinema russo é Aleksandr Sokurov, herdeiro do “cinema de poesia” de Eisenstein e Tarkovsky, autor de uma obra mutante que constantemente se reinventa “num incessante movimento em muitas direcções”, “num enredo fértil de preparação e criação, tenaz perseverança e invenção livre, classicismo e experimentação”. Como escreveu Roberto Turigliatto, que temos estado a citar, “com ele o cinema moderno ganha força e mina os seus limites”. A par da estreia do seu novo filme (v. p. 3), exibimos a sua sublime Tetralogia do Poder, uma “passagem impressionante pela história do séc. XX”, onde, como em Fairytale (2022), explora, como afirma, “as motivações que conduzem à destruição humana”, como se o “mal”, articulado entre a inércia, a vontade, o poder e o destino, pudesse ter uma reprodutibilidade ilimitada. Veremos também Francofonia (2015), a partir de uma encomenda do Louvre, e o assombroso Mãe e Filho (1997), que, como diz Nick Cave, nos “encanta e seduz pelos seus impulsos mais profundos, despertando em nós as emoções que o cinema durante tanto tempo negligenciara”.