Ciclo "De Eisenstein a Tarkovsky – Grandes Realizadores do Cinema Soviético"

21.03 15.04

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

A propósito da estreia do filme O Diário do Realizador, de Aleksandr Sokurov, organizamos um ciclo de grandes realizadores do cinema soviético, os seus expoentes máximos, e uma mostra de filmes que Sokurov fez já depois da dissolução da URSS.

Com Eisenstein, Vertov e Dovjenko, partimos do “marco inaugural” das emergências das “vanguardas” dos anos 1920, de um cinema saído da Revolução de Outubro, que se tornaria um momento seminal na história da sétima arte, com o nascimento de uma “nova poesia visual” e a montagem como um “meio para criar um certo tipo de espaço”, que influenciou cineastas no mundo inteiro.
Nos anos 30 dá-se a passagem do mudo ao sonoro e a “poesia” converte-se em “prosa”, como aludiu Eisenstein, que nessa altura partia para Hollywood. Com o suicídio do poeta Maiakovski, de certo modo, deu-se uma espécie de “enfraquecimento” do papel das vanguardas artísticas da década anterior. São, no entanto, ainda da década de 30 e das seguintes algumas das obras-primas de Eisenstein, que chegou a ser censurado e interdito no pós-guerra: Alexandre Nevski (1938) e Ivan, o Terrível (Parte 1, 1945, e Parte 2, 1958, esta estreada já depois da sua morte).
A publicação, em 1962, do livro de Aleksandr Soljenitsyne, Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, e do célebre poema de Ievtuchenko, “Os herdeiros de Estaline”, verdadeiras pedradas no charco de um dogmatismo reinante, e o facto de grande parte dos jovens cineastas diplomados pela VGIK, a universidade estatal de cinematografia, no início dessa década terem podido assistir, na escola ou na Casa dos Realizadores, a muitos filmes dos cineastas ocidentais (Antonioni, Wadja, Godard, Fellini – o seu Oito e Meio foi mesmo premiado no festival de Moscovo, o que despoletou uma enorme polémica artístico-política), veio criar um caldo propício a uma enorme criatividade e ao surgimento ou confirmação de alguns nomes maiores dessas décadas, como Marlen Kuthsiev (um “pioneiro”, cujo trabalho, como refere Alena Shumakova, encerra em si vários filmes-etapa da história do país e da sétima arte, e que foi recentemente (re)descoberto no ocidente, depois das retrospectivas integrais, primeiro no LEFFEST, em 2014, e, no ano seguinte, em Locarno), Larisa Sheptiko (outro nome decisivo, que trabalhou com Dovjenko, premiada no festival de Berlim) ou Elem Klimov. É nesse período que entra em cena Andrei Tarkovsky, com um “filme-bomba” que anuncia os novos tempos: A Infância de Ivan (1962, no qual colaborou também Andrei Konchalovsky). Como referiu Giovanni Buttafava, o que Tarkovsky traz de novo é o regresso à tradição mais autêntica, àquela em que a linguagem fílmica era um elemento específico e decisivo da narratividade, ao “cinema de poesia”, tornando-se, por isso, o herdeiro do “grande cinema russo”.
Mas as contrariedades com a censura, que vieram afectar os realizadores desta “nova vaga” do cinema soviético, chegariam ainda antes do fim da década e só seriam superadas com a perestroika (apesar disso, e das guerras várias com os censores, alguns filmes eram exibidos nos grandes festivais).
Andrei Roublev, um dos mais célebres filmes de Tarkovsky, “um fresco ambicioso sobre o lugar do artista no mundo” (Serge Daney), e um filme de uma notável modernidade, incomodou as autoridades soviéticas, que tudo fizeram para que fosse visto o menos possível no estrangeiro (foi exibido à última hora fora de concurso em Cannes). A partir daí, a desaprovação continuou, sobretudo com O Espelho (1974), filme de cariz autobiográfico e onírico. Depois de Stalker (1979), o seu último filme produzido na URSS (exibido como “filme surpresa” em Cannes), Tarkovsky exila-se na Europa, onde ainda realiza Nostalgia (1983) e O Sacrifício (1986), antes da sua morte prematura.
Andrei Konchalovsky, que com ele colaborou no início, e está ainda em actividade, foi também um dos grandes cineastas desse período, bem como o seu irmão, Nikita Mikhalkov, de quem exibimos Olhos Negros, com a participação de actores europeus, como Marcello Mastroianni, Silvana Mangano ou Marthe Keller


Sergei Eisenstein
O COURAÇADO POTEMKINE (1925)
ALEXANDER NEVSKY (1938)
IVAN, O TERRÍVEL parte 1 (1945) + IVAN, O TERRÍVEL parte 2 (1958)
 
Dziga Vertov
O HOMEM DA CÂMARA DE FILMAR (1929)
 
Aleksandr Dovzhenko
ARSENAL (1929)
 
Larisa Shepitko
ASAS (1966)
TU E EU (1971)
ASCENSÃO (1977)
 
Marlen Khutsiev
CHUVA DE JULHO (1966)
 
Andrei Konchalovsky
SIBERÍADA (1979)
 
Nikita Mikhalkov 
OLHOS NEGROS (1987)
 
Elem Klimov
ADEUS A MATIORA (1983)
 
Andrei Tarkovsky
A INFÂNCIA DE IVAN (1962)
ANDREI RUBLEV (1966)
SOLARIS (1972)
O ESPELHO (1974)
STALKER (1979)
NOSTALGIA (1983)
O SACRIFÍCIO (1986)

26.03.2026
quinta-feira
14:00
  1. Asas

    de Larisa Shepitko
    Cópia Digital Restaurada
    • 1966 | 
    • 85 min | 
    • M/12
    Maya Bulgakova, Sergey Nikonenko, Zhanna Bolotova, Pantelejmon Krymov
29.03.2026
domingo
13:30
  1. Stalker

    de Andrei Tarkovsky
    Cópia Digital Restaurada
    • 1979 | 
    • 163 min | 
    • M/12
    Alisa Freyndlikh, Aleksandr Kaydanovskiy, Anatoliy Solonitsyn, Nikolay Grinko
30.03.2026
segunda-feira
21:15
  1. Solaris

    de Andrei Tarkovsky
    Cópia Digital Restaurada
    • 1972 | 
    • 167 min | 
    • M/12
    Natalya Bondarchuk, Donatas Banionis, Jüri Järvet, Vladislav Dvorzhetskiy
13.04.2026
segunda-feira
21:00
  1. Stalker

    de Andrei Tarkovsky
    Cópia Digital Restaurada
    • 1979 | 
    • 163 min | 
    • M/12
    Alisa Freyndlikh, Aleksandr Kaydanovskiy, Anatoliy Solonitsyn, Nikolay Grinko