Ciclo "Marilyn Monroe"

16.04 28.05

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

Estrela incandescente (nunca houve outra luminosidade assim), celebramos o centenário de Marilyn (1926-1962) com a exibição de uma retrospectiva, a partir de 16 de Abril.


Abandonada num orfanato, teve uma infância e uma adolescência atribuladas, começou a trabalhar cedo, casou-se e divorciou-se cedo, tornar-se-ia modelo por acaso, e com cerca de 20 anos a Fox contratou-a. Foi nessa altura que deixou de se chamar Norma Jean e passou a chamar-se Marilyn Monroe. Em finais dos anos 40 teve pequenas aparições em vários filmes, tornou-se uma leitora ávida, foi estudar com Lee Strasberg no Actor's Studio. Em 1949, contracena com Groucho Marx em Louco por Mulheres, de David Miller, e começa a destacar-se em Quando a Cidade Dorme, de John Huston, e Eva, de Mankiewicz (onde há uma frase que seria premonitória, quando sobre a sua personagem se diz: "I can see your career rising like the sun"), ambos de 1950, impondo-se de modo fulgurante ao longo dessa década: impressionou Fritz Lang em Desengano (1952); confirmou todo o seu talento em A Culpa Foi do Macaco (1952), de Hawks, com Cary Grant, Ginger Roger e Charles Coburn – este encontro com Hawks foi determinante e com ele faria ainda Os Homens Preferem as Loiras, no ano seguinte, com Coburn e Jane Russel, onde será ela a brilhar –; com Henry Hathaway, fez Niagara (1952), onde se começava a perceber que Marilyn era uma das maiores actrizes da história do cinema, e com Negulesco Como se Conquista um Milionário (1953), onde tem o primeiro papel no elenco, sobrepondo-se a Betty Grable e Lauren Bacall, e tornando-se, aos 27 anos, a maior vedeta da Fox; a consagração definitiva veio no ano seguinte, com Rio sem Regresso, de Preminger, ao lado de Robert Mitchum e Parada de Estrelas, de Walter Lang. Seguir-se-iam os anos de maior esplendor, com dois filmes geniais de Billy Wilder: O Pecado Mora ao Lado (1955) e Quanto Mais Quente Melhor (1959); em 1956, outro êxito retumbante, com Paragem de Autocarro, de Joshua Logan – foi ainda o ano do casamento com o escritor Arthur Miller –; contracenou com Laurence Olivier, que também realizou o filme, em O Príncipe e a Corista (1957), e George Cukor dirigiu-a em Vamo-nos Amar (1960), outro prodígio, tragicamente belo, onde reparte a tela com Yves Montand. É o ano do rompimento com Miller, que escreveu o argumento, a partir de uma novela sua, de Os Inadaptados (1961), de John Huston, o realizador com o qual Marilyn tivera a sua primeira presença “visível” e com o qual virá a fazer o seu último filme, ao lado de Clark Gable e Montgomery Clift. Ainda filmou algumas belíssimas sequências com Cukor, para o filme Something's Got to Give, mas o estúdio acabaria por a suspender, devido aos atrasos e às faltas, sintoma de uma crise que dela se apoderava. Até ao momento fatal da noite de 5 de Agosto de 1962, em que, como escreveu Ruy Belo no belíssimo poema “Na morte de Marilyn”, “tomou todos os tubos que tinha e não tinha” e “o último dos rostos que mostrou era [...] / um rosto sem regresso mais que rosto mar”.


Cem anos depois do seu nascimento, esta grande, enormíssima actriz, que com a sua fragilidade enigmática e desarmante irradiava luz e convocava todos os abismos, ("Nunca ninguém foi tão amado como ela / nunca ninguém se viu envolto em semelhante escuridão" –  ainda Belo), que desafiou convenções e os estúdios, impondo-se e impondo a sua carreira (Wilder dizia que Marilyn “podia fazer tudo. Porque ela era tudo”), que obcecou poetas, pintores e escritores, continua a cativar gerações e gerações de espectadores.