Ciclo — Éric Rohmer ou o Génio do Moderno Cinema Francês — 3º Capítulo

31.03 11.05

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

Os Contos das Quatro Estações — Cópias Digitais Restauradas


Profundamente ancorados nos anos 1990, mesmo que se adivinhe a influência capital de La Bruyère, os “Contos das Quatro Estações” (1990-1998: Conto de Primavera, Conto de Inverno, Conto de Verão, Conto de Outono) preservam o charme fora de moda e inimitável dos diálogos do cinema de Éric Rohmer, que continua a defender aqui a utilização do som directo. A utilização parcimoniosa da música, geralmente composta por Jean-Luis Valero, fica enriquecida com a aparição, no genérico, do compositor Sébastien Erms, outro heterónimo do autor, em fusão com o nome da montadora Mary Stephen, que também participa na composição. Este último ciclo, centrado naquilo que faz e desfaz os laços entre as pessoas, ressoa com o conjunto da obra e ilumina-o: os sincronismos, os encontros capitais, as cumplicidades espontâneas, o amor à primeira vista. O espectador é atraído pelo jogo de palavras de personagens complexas que mentem, ou se mentem a si próprias, contradizendo-se constantemente. Há duas personagens muito fortes, que se destacam: Melville Poupoud no Verão, interpretando um jovem com um magnetismo sedutor que se deixa conduzir pelo acaso, e Charlotte Véry, uma das personagens mais grandiosas de todo o panteão rohmeriano, a exasperante sedutora do Inverno que faz a aposta absoluta do amor.
Gabriela Trujillo [Cinémathèque Française]


Os Contos das Quatro Estações:

Conto de Primavera 

Conto de Inverno 

Conto de Verão 

Conto de Outono


Cópias Digitais Restauradas