Ciclo Japão Eterno – Os filmes de Kenji Mizoguchi e Akira Kurosawa

19.04 15.05

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

Depois da recente revisitação do cinema de Ozu nas comemorações dos 120 anos do cineasta, regressamos, numa altura em que continua em exibição o novo filme de Ryusuke Hamaguchi, ao encantamento das obras dos outros dois grandes mestres do cinema japonês, com a exibição dos seus filmes mais célebres: Kenji Mizoguchi (acrescentamos agora  a reposição numa cópia digital restaurada, 50 anos depois da sua estreia em Portugal, onde foi censurado, O Herói Sacrílego), e Akira Kurosawa, que embora mais novo, abriu ao Ocidente a porta para uma das mais ricas cinematografias do mundo, quando em 1951 recebeu o Leão de Ouro no festival de Veneza. Mizoguchi seria premiado nos dois anos seguintes com o Leão de Prata, começando aí o enorme culto do cineasta. São os grandes mestres desta cinematografia imensa pela qual, temos, desde então, como escreveu Serge Daney, “uma paixão devoradora”.


Mizoguchi, realizador de cabeceira da nouvelle vague (Godard chamou-lhe “O melhor dos realizadores japoneses. Ou, simplesmente, um dos melhores realizadores do mundo”), teve a crítica francesa a seus pés, quando em 58 os Cahiers incluíram os Contos na lista dos melhores filmes de todos os tempos.


Kurosawa, talvez o mais popular no Ocidente, entre a espectacularidade e a aventura, com uma “mão no passado japonês”, embora com referências heterogéneas, e uma vertente introspectiva, mais íntima, sobretudo nas últimas obras, era amado por realizadores como Bergman ou Fellini, ou os americanos John Ford, Coppola, Scorsese, ou Spielberg.