As Mulheres da Câmara de Filmar

05.10 27.10

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

A partir do dia 5 de Outubro, a Medeia Filmes apresenta As Mulheres da Câmara de Filmar, um ciclo de 12 filmes realizados por autoras fundamentais para a história do cinema e para a afirmação do(s) olhar(es) feminino(s) na sétima arte. Nesta primeira parte, exibimos obras de cineastas tão diversas e originais como: Dorothy Arzner, Ida Lupino, Marguerite Duras, Agnès Varda, Larisa Shepitko, Chantal Akerman, Jane Campion, Kathryn Bigelow, Lucrecia Martel, Teresa Villaverde, Naomi Kawase e Laurie Anderson.


O ciclo arranca no dia 5 de Outubro com Coração de Cão (2015) de Laurie Anderson. Realizadora, música, compositora, poeta e fotógrafa, Anderson é uma das mais completas artistas dos nossos tempos, amplamente reconhecida como pioneira no uso da tecnologia na criação artística e musical. Coração de Cão é um poema em tons cinematográficos, uma elegia de Laurie Anderson sobre a sua cadela Lolabelle (e as duas grandes perdas que antecederam a morte de Lolabelle, Lou Reed, seu companheiro de longa data, e a sua mãe).


Nesse mesmo dia, é ainda exibido O Amor dos Leões (1969), um filme em que Agnès Varda transporta a contracultura de Nova Iorque para Los Angeles. Varda, percursora da nouvelle-vague francesa, foi uma visionária que forjou um vocabulário cinematográfico único em que as fronteiras entre a ficção e o documentário são permanentemente desafiadas. Protagonizado por Viva, a célebre superstar de Andy Warhol, e com a realizadora Shirley Clarke no elenco, O Amor dos Leões é uma investigação meta-cinemática sobre o capricho e a tragédia na América do final dos anos 60.


No dia 10 de Outubro, apresentamos O Pântano (2001), primeira longa-metragem da cineasta argentina Lucrecia Martel. Com uma obra que apresenta uma combinação rara de mestria formal, sensibilidade poética e crítica política, Martel é hoje um vulto absolutamente incontornável do cinema de autor. Uma das mais aclamadas estreias de realização contemporâneas, O Pântano é uma reflexão visceral sobre classe, natureza, sexualidade e política.


India Song (1975), de Marguerite Duras, é exibido a 11 de Outubro, numa sessão também dedicada aos actores Delphine Seyrig e Michael Lonsdale, recentemente desaparecido. Amplamente conhecida como uma das mais proeminentes figuras do noveau roman, Duras foi também uma cineasta singular que descobriu no cinema um meio igualmente justo onde explorar as suas narrativas. Adaptação de um texto originalmente escrito para teatro, India Song é uma obra deslumbrante que nos oferece uma verdadeira experiência multi-sensorial.


O filme de Dorothy Arzner, Dança, Rapariga, Dança  (1940), é apresentado no dia 12 de Outubro e a projecção será seguida de um debate com a crítica de cinema Inês N. Lourenço e outros convidados a anunciar. Única mulher a trabalhar como realizadora na Hollywood dos anos 30, a obra de Arzner demonstra uma surpreendente sensibilidade feminista subversiva que desafiou barreiras e quebrou tabus. Pioneiro no tratamento de temas relacionados com o espaço artístico feminino, Dança, Rapariga, Dança  é um testamento fascinante de uma autora décadas à frente do seu tempo.


A 13 de Outubro, propomos a A Cativa (2000), da realizadora belga Chantal Akerman, numa sessão que será apresentada pelo produtor do filme, Paulo Branco. Ícone do experimentalismo e uma das vozes mais inspiradoras do cinema – “um cinema da espera, das passagens, das decisões adiadas” como escreve Kathy Halbreich –, Akerman é possivelmente a figura mais importante da cultura cinematográfica feminista. Adaptação contemporânea de A Prisioneira de Marcel Proust, A Cativa é uma das obras-primas da cineasta.


No dia 17 de Outubro, apresentamos Os Mutantes, terceira longa-metragem de Teresa Villaverde, numa sessão que será apresentada pela realizadora. Um dos nomes maiores do cinema de autor português nascido nos anos 90, Villaverde é autora de uma filmografia muito pessoal, marcada pelos temas da infância e da adolescência, da inadaptação e da dificuldade de comunicação interpessoal. Estreado no Festival de Cannes e decisivo na projecção internacional da cineasta, Os Mutantes é uma das obras mais marcantes do cinema português contemporâneo.


O Piano (1993), o mais célebre filme da cineasta neozelandesa Jane Campion, é exibido no dia 18 de Outubro em cópia restaurada. Internacionalmente aclamada como uma das maiores cineastas da sua geração, Campion é autora de uma obra pautada pelos temas da sedução e do poder sexual feminino – um cinema do indizível e do invisível. Drama erótico passado na Nova Zelândia do século XIX, O Piano valeu a Campion a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1993, tornando-a a primeira e única mulher a ser galardoada com o prémio.


No dia 24 de Outubro, apresentamos Uma Pastelaria em Tóquio (2015) da cineasta japonesa Naomi Kawase. Com a sua primeira longa-metragem, Suzaku (1997), Kawase tornou-se a primeira mulher a receber o Prémio Caméra d'Or no Festival de Cannes. Aplaudido pela sua fotografia e interpretações extraordinárias, Uma Pastelaria em Tóquio é um retrato do Japão contemporâneo e uma apologia da transmissão do saber e da compaixão.


Anjos Rebeldes (1966) da cineasta, actriz e produtora Ida Lupino, é exibido no dia 25 de Outubro. Estrela de Hollywood durante os anos 40, Lupino tornou-se uma forte crítica do que identificava como a “mercantilização” das actrizes na indústria cinematográfica, e passou a dedicar-se ao trabalho de realização a partir da década de 50. Com um elenco quase exclusivamente feminino, Anjos Rebeldes é o último filme realizado pela cineasta para o grande ecrã antes de embarcar numa próspera carreira na televisão.


No dia 26, assistimos a Estranhos Prazeres (1995) da cineasta norte-americana Kathryn Bigelow, a primeira e única mulher a ganhar um Óscar de Melhor Realização (pelo filme Estado de Guerra). Com uma das mais variadas e interessantes filmografias do cinema contemporâneo, Bigelow alcançou não só o reconhecimento da indústria como também um estatuto de culto. Realizado a partir do argumento de James Cameron, Estranhos Prazeres combina ficção científica com elementos do film noir num thriller épico que vem conquistando o público.


A primeira parte do ciclo termina no dia 27 de Outubro com Ascensão (1977), da cineasta soviética Larisa Shepitko, que nos deixou uma curta mas extraordinária obra, rica em reflexões existenciais de carácter pessoal e universal. Emocionalmente avassalador, Ascensão foi o último filme realizado por Shepitko antes da sua morte prematura em 1979. O filme venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1977 e foi aclamado como o maior filme soviético da década.


Programa:


5 Out. 16h15

Coração de Cão de Laurie Anderson (M/14 | 2015)


5 Out. 21h30
O Amor dos Leões de Agnès Varda (M/16 | 1969 | Cópia Digital Restaurada, 4K)


10 Out. 19h
O Pântano de Lucrecia Martel (M/12 | 2001 | Cópia 35mm)


11 Out. 18h15
India Song de Marguerite Duras (M/12 | 1975 | Cópia 35mm)

Homenagem aos actores Delphine Seyrig e Michael Lonsdale


12 Out. 21h15
Dança, Rapariga, Dança de Dorothy Arzner (M/12 | 1940 | Cópia Digital Restaurada)

Projecção seguida de debate com Inês N. Lourenço e outros convidados a anunciar


13 Out. 21h15
A Cativa de Chantal Akerman (M/12 | 2000 | Cópia 35mm)

Apresentação por Paulo Branco


17 Out. 15h15
Os Mutantes de Teresa Villaverde (M/16 | 1998 | Cópia 35mm)

Apresentação por Teresa Villaverde


18 Out. 21h15
O Piano de Jane Campion (M/16 | 1993 | Cópia Digital Restaurada)


24 Out. 19h
Uma Pastelaria em Tóquio de Naomi Kawase (M/12 | 2015)


25 Out. 15h30
Anjos Rebeldes de Ida Lupino (M/12 | 1966 | Cópia Digital Restaurada)


26 Out. 19h
Estranhos Prazeres de Kathryn Bigelow (M/18 | 1995)


27 Out. 19h30
Ascensão de Larisa Shepitko (M/14 | 1977 | Cópia Digital Restaurada)


25.10.2020
domingo
15:30
  1. Anjos Rebeldes

    de Ida Lupino
    Cópia Digital Restaurada
    • 1966 | 
    • 1h 52min | 
    • M/12
    Hayley Mills, June Harding, Binne Barnes
26.10.2020
segunda-feira
19:00
  1. Estranhos Prazeres

    de Kathryn Bigelow
    • 1995 | 
    • 2h 25min | 
    • M/18
    Angela Bassett, Juliette Lewis, Ralph Fiennes, Tom Sizemore
27.10.2020
terça-feira
19:30
  1. Ascensão

    de Larisa Shepitko
    Cópia Digital Restaurada
    • 1977 | 
    • 1h 51min | 
    • M/14
    Boris Plotnikov, Vladimir Gostyukhin, Sergei Yakovlev, Lyudmila Polyakova