Rever Paul Thomas Anderson

02.01 19.01

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

Um dos cineastas mais fascinantes e originais da sua geração, a que vem das video stores, Paul Thomas Anderson, que afirma ter tido Jonathan Demme como mestre e mentor (e conviveu ainda com Altman, a quem dedicou um dos seus filmes, e Kubrick, entre outros), assinou algumas das obras mais memoráveis do cinema dos últimos 25 anos, cuja revisão propomos.


Vencedor do Urso de Ouro em Berlim e do Prémio de Melhor Realizador em Veneza e em Cannes (festival onde se estreou com a sua primeira longa), nomeado para os Óscares (os seus filmes ganharam várias estatuetas), Anderson explora a imperfeição humana que se materializa em personagens complexas e alienadas. Acedemos aos seus mundos através do contínuo movimento rítmico de uma câmara que segue, desliza e se desloca sem pressa, mas com energia e tensão, em torno das suas histórias. Únicas, de filme para filme.


No livro Masterworks, de Adam Nayman, publicado no ano passado, este salienta que PTA trabalha em vários dos seus filmes personagens de homens que se tornaram poderosos – arrancando-os depois impiedosamente dos seus pedestais –, da relação pais-filhos (substitutos ou biológicos), “com nervo e grandes emoções”. O livro tem um prefácio dos irmãos Safdie (Benny é também actor no novo Licorice Pizza) onde mencionam o quanto os inspirou ver Adam Sandler, o seu herói cómico, em Embriagado de Amor (2002). “A raiva e a loucura interior de Sandler estavam a ser filtradas pelo microscópio subtil de Anderson e sim, continuava a ter piada e entretinha. [...] Forçou-nos a recordar os filmes anteriores de Sandler através de uma nova lente. Os mundos já não se excluíam mutuamente... podiam coexistir.”